Karsten Moran for The New York Times
Karsten Moran for The New York Times

Aprimorando o condicionamento do cérebro

Estudos revelam comportamento do cérebro em situações específicas

Robb Todd, The New York Times

05 Agosto 2018 | 10h00

Nossas reações podem ser pré-definidas, mas não absolutas. Um cérebro tem muito para a nossa mente, algo que poderia ajudar e algo que poderia prejudicar - e tudo o que ajuda a definir o que nós somos.

Às vezes, ele pode nos enganar levando-nos a confiar em uma pessoa mentirosa ou a confundir as nossas prioridades. Outras vezes, ele nos permite redefinir convicções equivocadas ou andar de bicicleta, processo que os cientistas acham mais difícil modelar do que pilotar um avião.

“Todo mundo sabe andar de bicicleta, mas ninguém sabe como andamos de bicicleta”, afirmou Mont Hubbard, professor emérito de engenharia mecânica e aeroespacial da Universidade da Califórnia, em Davis, a “The Times”.

Ele explicou que o cérebro recebe informações sensoriais e tem um sistema de controle que cria as “forças capazes de fazer correções que precisam ser aplicadas ao guidão para que a bicicleta fique de pé”.

Seja como for, as pessoas costumam dizer que, uma vez que a gente aprende a andar de bicicleta, nunca mais esquece. Mas há muito mais: é uma habilidade que pode ajudar o cérebro a lembrar de outras coisas também. Segundo “The Times”, um estudo recente encontrou uma correlação entre a ginástica aeróbica e a capacidade de lembrar palavras que aparentemente estão na ponta da nossa língua.

Esse problema se agrava com a idade, mas, ao longo da vida, nós precisamos lidar com questões cerebrais como “condicionamentos inconscientes” e  o “efeito de urgência”.

O cérebro usa o condicionamento inconsciente como um atalho, escreveu Tim Herrera no “The Times”. 

“Em geral, estes saltos mentais são essenciais: imagine se você tivesse de analisar cada estímulo sensorial que o seu cérebro recebe, e basear as decisões nestas análises”, disse.

Mas o cérebro também codifica condicionamentos culturais de maneira semelhante. Herrera afirma que isso pode levar a conclusões imprecisas e perigosas: “O seu cérebro pode confiar instintivamente em algumas pessoas simplesmente porque elas parecem saber do que estão falando”.

A pesquisa mostrou que os nossos cérebros confundem a maneira de falar e a confiança de uma pessoa com experiência. “Se você se perceber gravitando ao redor de um indivíduo extrovertido que fala alto, procure outra opinião”, recomendou.

Com o efeito de urgência, o cérebro prioriza a satisfação imediata e não a conclusão de tarefas importantes. Em outras palavras: a procrastinação.

“Mais uma vez, obrigado por nada, cérebro”, continuou.

Um recente estudo mostrou que é menos provável que as pessoas realizem uma tarefa maior, importante, sem um prazo, do que uma tarefa menor, urgente. “Isto ocorreu mesmo que o resultado da tarefa menor fosse objetivamente pior do que a maior”, escreveu.

Mas é possível reformular algumas das características menos desejáveis do cérebro com o “pensamento elástico”. Lisa Feldman Barrett, professora de psicologia da Northeastern University, escreveu no “The Times” que ela ensina aos seus alunos como fazer isto levando-os a questionar os seus livros de texto e as suas convicções - principalmente quando isto faz com que se sintam desconfortáveis.

“Eu peço que eles adotem ideias contraditórias e também a ambiguidade”. E quando ocorre o fracasso, como inevitavelmente ocorrerá, eu os lembro de tratarem o seu desconforto não como um freio, mas como um sinal para seguir em frente”.

O livro de Alan Jasonoff  “The Biological Mind”, escreveu Barrett em uma resenha, oferece outro importante lembrete a respeito do cérebro: ele não é uma máquina mística, como frequentemente é mitologizado, mas uma “mistura grudenta, sanguinolenta de células, que segrega substâncias químicas”.

“Vocês não são apenas o seu cérebro - o seu corpo e as circunstâncias mais importantes da sua vida também fazem de vocês o que vocês são”, ela disse.

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