Arnulfo Franco/Associated Press
Arnulfo Franco/Associated Press

Aquecimento global põe à prova Canal do Panamá

Redução nos níveis de água coloca embarcações em risco e pode afetar gravemente a economia mundial

Henry Fountain, The New York Times

01 de junho de 2019 | 06h00

Uma seca severa no Panamá resultou na redução dos níveis de água no Canal do Panamá, forçando algumas embarcações a limitar a quantidade de carga para evitar o risco de encalhar.

"Os últimos cinco meses foram a estação seca mais seca da história do canal", disse Carlos Vargas, vice-presidente executivo de Meio Ambiente, Água e Energia da Autoridade do Canal do Panamá.

O canal, uma obra-prima de engenharia que fornece um atalho entre o Atlântico e o Pacífico, lida com cerca de 5% do comércio marítimo. Qualquer alteração em sua operação pode ter um efeito cascata na economia global.

Segundo Vargas, mesmo com o fim da estação seca e o retorno das chuvas, algumas restrições permanecerão durante o verão. Tais restrições podem ter de ser impostas com mais frequência se a mudança climática levar a períodos de seca mais extremos.

Quatro das tempestades mais intensas e várias das piores secas desde que o canal foi aberto, há 105 anos, ocorreram na última década, apontou Robert F. Stallard, hidrólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos.

Os limites de carga mais recentes foram impostos em fevereiro, quando os níveis nos dois lagos que fornecem água começaram a cair. Tais limites afetam grandes navios ao usar as novas eclusas do canal, que começaram a funcionar em 2016. As eclusas elevam e abaixam os navios para superar as diferenças no nível da água. Uma média de cerca de sete navios por dia usa esses bloqueios.

A gestão da água sempre foi uma parte crítica das operações do canal, mas se tornou ainda mais importante com a construção das eclusas maiores. Cada vez que um navio transita pelo canal, cerca de 19 milhões de litros de água são perdidos para os oceanos.

A água vem de dois lagos artificiais, um dos quais navios atravessam como parte do canal de 80 quilômetros. Os lagos também fornecem água para grande parte da população do Panamá.

Funcionários do canal tentam armazenar água suficiente na estação chuvosa para operar o canal durante a estação seca. Mesmo em anos normais, economizar água é uma prioridade. As novas eclusas têm bacias especiais que conservam cerca de metade da água utilizada a cada vez que um navio passa pelo canal. Mas muita água que inunda o sistema também pode danificar bloqueios e outras infraestruturas, ou forçar o fechamento do canal.

Vargas disse que há uma equipe de meteorologistas, cientistas e engenheiros que prevê e planeja como lidar com extremos de água, e garantiu que suas habilidades serão usadas ainda mais à medida que o clima muda. Quanto à ameaça a longo prazo para o canal, ele afirma que a solução é mais água.

"Não temos dúvidas de que precisamos construir mais reservatórios", disse. "Acreditamos que eles são a maneira mais eficaz de atenuar a mudança climática".

Mas adicionar novos reservatórios seria uma tarefa cara. Não há mais água disponível na bacia do rio Chagres, que abastece os dois lagos. O novo fornecimento de água teria de vir de bacias hidrográficas mais distantes do canal, o que exigiria a construção de túneis e barragens.

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