Mark Wickens para The New York Times
Mark Wickens para The New York Times

O passado de Nova York visto do 102.º andar do Empire State Building

Edifício investe US$ 165 milhões e quatro anos aprimorando a experiência de vislumbrar - e desfrutar - os panoramas de seus dois observatórios

James S. Russell, The New York Times

01 de novembro de 2019 | 06h00

Como podemos ter uma ideia das transformações mais recentes de Nova York, que passou por mais reformas físicas do que em qualquer outro período desde os anos 1920? Os novos “centros” de vidro em Long Island  e Jersey. As cristalinas estruturas dos Hudson Yards no extremo oeste. Torres marchando juntas ao longo das margens do East River. Os esguios arranha-céus invadindo a vista do Central Park.

Nunca houve época melhor para conhecer a cidade com novos olhos, e um dos melhores lugares para se apreciar a nova vista é o primeiro arranha-céu gigante de Nova York: o Empire State Building, que acaba de gastar US$ 165 milhões e quatro anos aprimorando meticulosamente a experiência de vislumbrar - e desfrutar - os panoramas de seus dois observatórios, no 86.º e no 102.º andares.

Essa é a terceira fase de um projeto que os designers chamam de "The Observatory Experience". O dono do edifício, Fundo Imobiliário Empire State, criou uma nova entrada, e uma exposição de 900 metros quadrados que, além de fascinante (vemos uma animação realista mostrando King Kong arrebentando o edifício), reduz as filas a um mero posto de controle de segurança. São 55 segundos de elevador até chegar ao observatório do 86.º andar, que foi incrementado. E há também o passeio no elevador panorâmico até o 102.º andar, alcançando uma altura de 373 metros.

O fundo imobiliário - que obtém US$ 132 milhões ao ano com os quatro milhões de visitantes que os observatórios recebem - trouxe para o projeto a Thinc Design (criadora das exposições do Museu e Memorial do 11/9), cuja estratégia era dialogar com as expectativas que as pessoas “atribuíram ao edifício nos seus corações e mentes", disse Anthony E. Malkin, presidente e diretor executivo do fundo imobiliário.

Uma maquete do edifício de sete metros de altura é usada pelos visitantes em fotos quando estes sobem por uma escada de aço até uma exposição de 900 metros quadrados mostrando a história do edifício e sua importância para a cultura pop.

Em um espaço amplo, uma combinação de filme e animação computadorizada leva as quatro paredes à vida com o movimento de vigas de aço puxadas por guindastes ocultos e operários cravando rebites em colunas com a cidade estendida a seus pés.

Há outras exposições intrigantes, incluindo uma a respeito de elevadores, uma galeria de celebridades, e a inevitável inclusão de King Kong defendendo-se dos aviões (repetindo a cena que seria a primeira aparição do Empire State em um filme, em 1933).

O trabalho original de construção do arranha-céu teve início em março de 1930, meses após a quebra da bolsa de valores, quando a Grande Depressão tinha início. O edifício de US$ 41 milhões foi erguido com velocidade incrível, subindo quatro andares e meio por semana, e foi inaugurado menos de 14 meses depois, no dia 1.º de maio de 1931. Na coletânea de ensaios My Lost City, o autor F. Scott Fitzgerald observou, “Das ruínas [da quebra da bolsa de valores], solitário e inexplicável como a esfinge, ergue-se o Edifício Empire State".

O terraço aberto visitado pela maioria, envolvendo o 86.º andar, mudou pouco desde a época da construção. Olhando a cidade a partir dali, vemos estranhos ecos da época em que o Empire State foi pensado.

Em uma foto tirada no dia da inauguração, em 1931, o quadriculado das ruas se estende em formas quase planas até o extremo sul de Manhattan, onde se ergue o distrito financeiro, lembrando a cidade de Oz, coroado por torres pontiagudas dos anos 1920. No otimismo do final dos anos 1920, a arquitetura exuberante e a altura eram vistos como elementos de marketing, “pensados para a admiração do mundo, com a habitação dos moradores em segundo planos", escreveu Elmer Davis no The New Republic em 1932.

A sensação talvez não fosse muito diferente daquela provocada pelo panorama visto hoje pelos turistas - olhando para o norte, na direção dos numerosos condomínios superaltos, e as torres esquias de Billionaire’s Row recordando a vista do Central Park.

Houve uma época em que os arquitetos consideravam o impacto dos edifícios no panorama da cidade como uma espécie de confiança sagrada - um símbolo da energia da cidade, sua graça e confiança, uma contribuição para a sua identidade. Será que pensamos o suficiente na aparência do panorama urbano de hoje daqui a 100 anos? / TRADUÇÃO AUGUSTO CALIL

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