NASA/JPL-Caltech
NASA/JPL-Caltech

As setenta e nove luas de Júpiter - e contando

As 12 luas de Júpiter descobertas recentemente são pequenas se comparadas à gelada Europa

Kenneth Chang, The New York Times

07 Agosto 2018 | 10h15

Doze anos atrás, os astrônomos debateram a definição de planeta. Talvez seja necessário debater outra questão de classificação no sistema solar: a definição de lua.

Em julho, cientistas comandados por Scott S. Sheppard, da Carnegie Institution for Science, anunciaram a descoberta de uma dúzia de luas orbitando Júpiter, trazendo o total a 79. Em comparação às luas que Galileu observou com seu telescópio em 1610 - Ganimedes (maior que mercúrio), Calisto (coberta de crateras profundas), Io (intensa atividade vulcânica), Europa (congelada) - os novos satélites são discretos. Medem de menos de um quilômetro de largura até mais de três quilômetros de largura e orbitam o planeta a uma distância de milhões de quilômetros.

É certo que os astrônomos vão encontrar mais luas. Quando a contagem chegar às centenas, ou até milhares, os cientistas talvez comecem a se perguntar se vale a pena seguir procurando. “Talvez tenhamos que chamar de ‘luas anãs’ aquelas com menos de um quilômetro de largura”, disse o Dr. Sheppard.

Uma lua é simplesmente uma rocha orbitando um planeta, e, no momento, não há definição de um tamanho mínimo. Mas, na prática, os astrônomos contam apenas os objetos cuja órbita são capazes de determinar.

Luas maiores como Europa e Ganimedes costumam apresentar uma órbita que segue a mesma direção da rotação do planeta, um fenômeno que os astrônomos chamam de movimento prógrado. Essas luas provavelmente se formaram a partir de um disco de pó e gases que girava na mesma direção do planeta enquanto o sistema solar estava em formação. Mas a gravidade de Júpiter também é capaz de capturar outros objetos que passem pela região, e estes às vezes orbitam o planeta no sentido oposto, naquilo que é chamado de movimento retrógrado.

Duas das novas luas apresentam órbitas prógradas, correspondentes a um grupo de luas mais próximas.

Nove delas se situam entre três conjuntos de luas mais distantes, de órbita retrógrada, prováveis restos de três luas capturadas. A 12.ª lua é uma peculiaridade. Ela se move entre as luas retrógradas, mas orbita numa direção prógrada. O Dr. Sheppard indicou que este poderia ser o último pedaço do objeto que desfez as três luas distantes originais.

Os astrônomos ainda não deram nomes para 11 dessas luas. Para a lua diferente, o Dr. Sheppard propôs Valetudo, bisneta do deus romano Júpiter.

Em 2005, foi a descoberta de outro planeta gelado do tamanho de Plutão, agora chamado de Eris, que obrigou os astrônomos a decidir afinal qual é o significado de “planeta". No fim, a União Astronômica Internacional optou por uma definição confusa, segundo a qual planeta é um corpo celeste que orbita o sol, grande o bastante para ser puxado pela gravidade para uma órbita circular, e com a força gravitacional mais forte da própria órbita. Este último requisito fez com que Plutão e Eris fossem colocados numa nova categoria: planetas anões.

Em se tratando das luas, os critérios são menos claros. Mas Gareth V. Williams, diretor associado do Minor Planet Center, acredita que os astrônomos ainda não precisam se preocupar.

“Estamos longe de conseguirmos imagens individuais dos anéis, e muito menos observações suficientes para a determinação de uma órbita, mesmo usando sondas", disse ele. “Me parece que esta é uma pergunta para uma geração futura.”

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