Calvin Klein
Calvin Klein
Tom Brady, The New York Times

23 de junho de 2019 | 06h00

Se você estiver ocupado ou tiver preguiça de fazer uma reserva no restaurante, pode encarregar um robô. A Google Duplex utiliza a Inteligência Artificial para telefonar e reservar uma mesa, exatamente como um ser humano. Na realidade, em muitos casos, é uma pessoa que executa esta tarefa, segundo apuraram dois repórteres do “Times” que testaram o Duplex por vários dias. Eles constataram que de quatro reservas bem-sucedidas, três foram feitas por pessoas que trabalham em um call center e não por um robô.

Os problemas com a Inteligência Artificial são notórios. O Facebook afirma que identifica e elimina o conteúdo de ódio, e emprega milhares de pessoas para fazer este serviço. Os robôs ajudam a administrar os depósitos da Amazon, mas há centenas de funcionários que também se ocupam do despacho dos produtos.

“Existem três coisas importantes nas interações da IA com os seres humanos: o contexto, o contexto e o contexto.”, disse Jerry Kaplan, autor de Humans Need Not Apply: A Guide to Wealth and Work in the Age of Artificial Intelligence, disse. “As máquinas são ótimas para lidar com detalhes, mas terríveis quando se trata do contexto”.

Miquela Sousa, conhecida como Lil Miquela, no mês passado estava em um anúncio da Calvin Klein; aparentemente, ela tem tudo: a roupa, o cabelo, a herança brasileira-espanhola, amigas lindas. Mas Lil Miquela, que tem 1,6 milhão de seguidores na Instagram, é um personagem criado por computador que foi lançado em 2016.

Ela é uma influenciadora virtual. “Para que contratar uma celebridade, uma supermodelo ou mesmo uma influenciadora da mídia social para comercializar o seu produto, se você pode criar do nada a embaixatriz  ideal da marca?”, escreveu Tiffany Hsu em “The Times”.

As influenciadoras humanas precisam manter as aparências e fazer com que os patrocinadores fiquem satisfeitos. As influenciadoras artificiais nunca precisaram de um dia de folga. “É por isso que as marcas gostam  de trabalhar com personificações virtuais - elas não precisam fazer 100 tomadas”, disse a “The Times” Alexis Ohanian, um dos fundadores do “Reddit”. Alexis é o avô da influenciadora artificial Qai Qai, a boneca de sua filha Olympia (que teve com Serena Williams).

“Até agora, a mídia social, tem sido em grande parte dominada por seres humanos que fingem”, disse Ohanian. “Mas os personagens virtuais são um futuro do ‘storytelling’”. “Esta época é interessante e perigosa; percebemos o poder da IA e sua capacidade de falsificar qualquer coisa”, prosseguiu.

Mas quando flertamos, não fingimos, apenas apresentamos uma versão idealizada de nós mesmos. Os robôs são tão desajeitados quanto qualquer ser humano. Agora, alguns empreendedores acabam de criar programas “flirttech” que imitam parceiros românticos e ajudam os apaixonados atrapalhados a mandar mensagens e a iniciar encontros íntimos.

“As pessoas acham que fazer sexo e namorar são coisas fáceis e inatas”, disse Brianna Rader, fundadora e diretora executiva do Juicebox, um aplicativo de educação sexual. “Na realidade, é uma capacidade  que as pessoas adquirem  como qualquer outra na vida. Ocorre que infelizmente estas coisas nunca são ensinadas de maneira formal”.

O Slutbot, o serviço de chatbox baseado em texto do aplicativo Juicebox, ensina os usuários a partir dos 18 anos a mandar mensagens ousadas. “Para quebrar o gelo, o Slutbot envia um emoji que pisca e uma paquera: “Parece que você está procurando alguém para falar de sacanagem”, escreveu Rainesford Stauffer no “The Times”.

Para os seres humanos ou os chatbots (parceiros digitais), a comunicação é subjetiva. O que é sensual ou repulsivo é uma questão de opinião. Os aplicativos que rodam com a IA também refletem os preconceitos dos programadores que os criam. Rader disse que a vantagem é que você não causa constrangimento e nem ofende um robô, mesmo que você não tenha o menor jeito para seduzir alguém. “Nós achamos que o Slutbot é uma espécie de espaço protegido”, ela disse. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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