Ashley Landis/The Dallas Morning News, via Associated Press
Ashley Landis/The Dallas Morning News, via Associated Press

Asteroide que varreu dinossauros do planeta acidificou mares, diz pesquisa

Além disso, a colisão interrompeu a cadeia alimentar da vida marinha e resultou em uma extinção em massa

Lucas Joel, The New York Times

04 de novembro de 2019 | 06h00

O que aconteceu com os dinossauros quando um asteroide de cerca de 10 quilômetros de largura se chocou contra a Terra, há cerca de 66 milhões de anos no México de hoje, é um fato bastante conhecido. Ele os varreu da face do planeta. Mas o destino exato dos moradores do oceano naquela época – as amonitas com casca, mosassauros gigantes e outras criaturas marinhas – não foi igualmente conclusivo.

Novas pesquisas agora afirmam que o mesmo acidente que ajudou a  pôr fim ao reino dos dinossauros também acidificou os oceanos do planeta, interrompeu a cadeia alimentar que sustentava a vida nos mares e resultou em uma extinção em massa. O estudo, publicado nos Proceedings of the National Academy of Sciences, visa a sustentar a hipótese de que a destruição da vida marinha do evento Chicxulub – o resultado da chuva de ácido que se depositou nos oceanos provocada por rochas ricas em enxofre – foi tão profunda quanto o fogo e a fúria que desencadeou na terra.

“Foi uma acidificação relâmpago, que transformou os ecossistemas por milhões de anos”, afirmou Noah Planavsky, bioquímico da Universidade Yale que participou do estudo. “Nós ficamos chocados ao descobrir isto”.

O impacto do asteroide de Chicxulub – que tem o nome da cratera que abriu ao redor do Golfo do México – cuspiu colunas de rocha na atmosfera da Terra, incinerou florestas do planeta e causou tsunamis. Mas a relação entre o choque e a extinção marinha é menos clara.

Este hiato não saía da cabeça do geoquímico Michael Henehan, quando ele participou de uma conferência em 2016 na Holanda que incluiu uma excursão para algumas cavernas em Geulhemmerberg, onde se encontram pedras do fim do período Cretáceo. Ele descobriu as rochas feitas de argila que se formaram depois do choque do asteroide, e colecionou algumas delas.

De regresso à Universidade Yale, Henehan, atualmente pesquisador do Centro GFZ Helmholz em Potsdam, na Alemanha, descobriu as cascas de fósseis de milhares de minúsculos plânctons marinhos chamados Foraminifera, ou “forams”. As cascas preservam vestígios de boro, elemento químico que é escasso nestes fósseis, mas oferece informações sobre os antigos níveis de ácido dos oceanos quando pode ser encontrado em quantidades suficientes.

Henehan e outros cientistas verificaram que as proporções relativas de dois isótopos do elemento mudaram abruptamente no momento exato do impacto. Em cascas como estas, explicou Planavski, as proporções dos isótopos de boro mudam quando a acidez dos oceanos aumenta. E como esta mudança remota ocorreu nos primeiros 100 a 1.000 anos após o impacto, significa que os oceanos se tornaram ácidos praticamente da noite para o dia.

A acidificação imediata teria devastado organismos que constituíam os alicerces de ecossistemas, criando problemas para outras criaturas como as amonitas que viviam bem mais acima na cadeia alimentar.

Extinção

O estudo oferece a evidência do que provocou a extinção marinha depois que o impacto do asteroide levou a esta transformação. E confirma que foi o asteroide que desencadeou a extinção. Aproximadamente na mesma época, houve uma intensa atividade vulcânica na atual Índia, fazendo com que fossem expelidos mais de 830 mil quilômetros cúbicos de lava no decorrer de cerca de um milhão de anos.

Segundo Chris Lowery, paleooceanógrafo da Universidade do Texas em Austin: “Trata-se de uma evidência extremamente forte de que a acidificação dos oceanos foi causada pelo impacto e não pelos vulcões.” / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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