Libby March/The New York Times
Libby March/The New York Times

Eles não estão sozinhos: notícias de OVNIs aumentaram na pandemia

Com menos poluição luminosa e muitas noites livres, no ano passado os nova-iorquinos reportaram duas vezes mais observações de objetos misteriosos nos céus

Sarah Maslin Nir, The New York Times - Life/Style

18 de maio de 2021 | 05h00

Nos anos desde que afirmou que seres extraterrestres a abduziram, em sua casa, numa área suburbana de Rochester, Estado de Nova York, Virginia Stringfellow tem compartilhado sua história particularmente com uma comunidade muito unida de pessoas que dizem ter também se deparado com objetos voadores não identificados.

Mas no ano passado, o grupo cresceu: em cada de seus encontros mensais dedicado aos OVNIs, em média cinco novas pessoas afirmam ter visto um objeto misterioso no céu – sem falar nos 50 visitantes de fora que tentam se juntar a eles. “Tenho de recusar pessoas” disse Stringfellow, 75 anos.

As observações de objetos não identificados em 2020 quase dobraram em Nova York em comparação com o ano anterior, para 300, de acordo com dados compilados pelo National UFO Reporting Center, ou NUFORC. E no país aumentaram em cerca de mil, para mais de 7.200.

Mas segundo ufólogos, que são aqueles que estudam o fenômeno, a tendência não é resultado de alguma invasão alienígena. Pelo contrário, provavelmente é causada em parte por um outro invasor: o coronavírus.

Forçadas a permanecer em casa por causa do lockdown imposto, muitas pessoas estão com mais tempo para elevar os olhos para o alto. Em Nova York, um grande número de moradores, para fugir do vírus, se mudou para localidades como Catskills e Adirondacks, onde os céus estão totalmente livres da poluição luminosa. Um quarto dos comunicados de observações ocorreu em março e abril do ano passado, quando os lockdowns estavam no seu momento mais estrito. As luzes tremeluzindo nos céus viralizaram no TikTok, acumulando milhões de visualizações.

Há muito tempo os entusiastas de OVNIs dizem que a pandemia claramente levou mais pessoas a rastrearem os céus noturnos. Mas há uma outra razão pela qual as pessoas estão mais receptivas à ideia de que alguma luz estava tremeluzindo no céu vale a pena ser reportada. O Pentágono informou no ano passado que em breve criaria uma nova força-tarefa para identificar os chamados “objetos não identificados” observados por aviões militares. E também no ano passado tornou público três vídeos dessas observações que eram mantidos secretos.

Além disso, o pacote de US$ 2,3 bilhões assinado pelo então presidente Donald Trump incluiu uma cláusula segundo a qual o secretário da Defesa e o diretor da Inteligência Nacional iriam colaborar num relatório sobre OVNIs e levá-lo a público.

“É encorajador para muitos de nós que estudamos ufologia o fato de autoridades de governo se disporem a confirmar que estão cientes dessas circunstâncias e admitirem que pessoas vêm reportando esses eventos”, afirmou Peter Davenport, diretor do NUFORC.

“Antes o governo parecia achar que pessoas como eu são malucas, e não somos”, disse ele.

Davenport e seus colegas sublinham que qualquer aumento das observações não significa um aumento de objetos voadores. Esses objetos não identificados são apenas fenômenos aéreos que não foram ainda identificados. A maior parte das observações que chegam ao centro rapidamente é verificada como sendo de pássaros, morcegos, satélites, aviões e drones, disse ele.

Inúmeras observações ocorridas no ano passado foram identificadas como de satélites lançados pela SpaceX, projeto de exploração do espaço de Elon Musk que realizou testes numa região ao norte de Idaho no ano passado. Um vídeo do TikTok que viralizou, de um objeto pairando sobre Nova Jersey, no final era um dirigível da Goodyear.

“Um investigador especialista de OVNIs é uma das pessoas mais céticas”, disse Davenport.

Somente uma fração dos relatórios analisados pelo NUFORC, que tem sede no Estado de Washington, é realmente de algum objeto não identificável. E a proporção não mudou mesmo com o aumento de ligações a respeito, disse Davenport.

Os ufólogos normalmente se irritam quando se fala em aumentos de observações, alertando que esses saltos ocorrem com regularidade no decorrer dos anos e são tema favorito dos noticiários. A cobertura em si dos eventos também pode aumentar as observações, eles alertam.

Em Nova York, à medida que os moradores, tentando escapar do vírus, se instalaram no interior, eles também contribuíram para o aumento de observações de objetos na zona rural, disse Chris DePerno, diretor assistente da filial de Nova York do Mutual UFO Network, organização sem fins lucrativos que utiliza investigadores civis para estudarem informes de OVNIs.

Sem a poluição luminosa urbana, as pessoas que se mudaram para o interior passaram a observar o céu à noite e o que ele contém.

“Eles chegam ao Hudson Valley – um lugar belíssimo, o céu está claro e de repente veem essa coisa zunindo, que fica parada e depois voa em linha reta, novamente decola, e retorna. Estamos falando de velocidades incríveis”, disse DePerne, detetive aposentado. “Com a covid, mais pessoas estão olhando para o alto”.

O aparente aumento de observações é um alívio para algumas pessoas que dizem ter visto naves misteriosas flutuando nos céus, mas temiam ser as únicas.

“Como o Pentágono está mais aberto, agora há mais notícias, mais informes”, disse Virginia Stringfellow, mais conhecida como Cookie. “As pessoas têm muito medo de dizer, “Meu Jesus, estava na floresta agora, ou na beira do lago, e essa coisa desceu”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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