Graham Walzer para The New York Times
Graham Walzer para The New York Times

Astros do YouTube transformam espectadores em leitores

Canais focados em literatura atingiram a marca de 200 milhões de visualizações este ano

Concepción De León, The New York Times

19 Agosto 2018 | 10h45

Quando Christine Riccio era adolescente, em Nova Jersey, ela e a irmã compartilhavam vídeos no YouTube mostrando as duas se divertindo, dançando ao som de Britney Spears ou ensaiando acrobacias. Foi somente quando já estava na faculdade, em 2010, que Christine começou a "falar de verdade para a câmera", decidindo publicar um vídeo de sua resenha para "Jogos Vorazes", de Suzanne Collins.

"Eu lia muitos livros e não tinha ninguém com quem conversar a respeito deles", disse, explicando por que começou a fazê-lo na internet. "Eu pensava, 'terei sorte se conseguir uns 500 assinantes'".

No começo, Christine dividiu seu conteúdo em dois canais, sendo um para a comédia e outro para os livros. Mas, depois da faculdade, quando trabalhou como estagiária na produtora de Will Ferrell na Califórnia, em 2012, ela teve ideias para vídeos que produziu para seu canal literário, PolandBananasBooks, e começou a compartilhar clipes, reações a adaptações de livros para o cinema e compras feitas (o público da internet gosta de acompanhar vídeos em que as pessoas comentam os produtos que acabaram de comprar).

Seu canal literário passou de menos de mil para 5 mil assinantes em meados daquele ano. Aos 27 anos, com a marca recente de quase 400 mil assinantes, ela está entre os mais populares "BookTubers" do YouTube, comentando livros para um público formado por adolescentes e jovens adultos.

Erica Barmash, diretora de marketing do selo infantil da Bloomsbury, trabalhou com Christine e disse que o canal dela ajuda as editoras a alcançar o público adolescente justamente onde este público se concentra: no YouTube.

Os vídeos de Christine ainda são divertidos e bem-humorados. Em um deles, a jovem recorre a bonecas, carros de brinquedo e luvas amarelas de faxina enquanto resume a trilogia Darkest Minds, de Alexandra Bracken, em oito minutos. Este teve mais de 15 mil visualizações e quase 350 comentários positivos, incluindo emojis de gargalhadas, elogios e pedidos por mais vídeos do tipo.

Christine e Jesse George (outro BookTuber conhecido como Jesse The Reader) que se conheceram na VidCon, uma conferência que reúne criadores e assinantes de vídeos online, somaram suas forças às de Ariel Bissett e outros BookTubers para organizar encontros e eventos ao vivo para seus assinantes.

Eles deram início ao clube de leitura Booksplosion, com Kat O'Keeffe, do canal Katytastic, e todos os meses um título é escolhido e debatido ao vivo, permitindo o envolvimento dos assinantes por meio da ferramenta de bate-papo.

"Acho que, para boa parte do público que assiste aos vídeos no estilo BookTube, é como se eles recebessem a recomendação de um amigo", disse Brittany Kaback, que trabalha numa agência de marketing chamada Big Honcho Media, encarregada de ligar editoras a "influenciadores".

De acordo com o YouTube, os BookTubers acumularam mais de 200 milhões de visualizações este ano.

"Esse é o aspecto mais interessante do BookTube", disse George. "É algo que inspira o hábito de ler mesmo naqueles menos interessados nos livros".

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