Tali Kimelman para The New York Times
Tali Kimelman para The New York Times

Atrasos em obras da Trump Tower no Uruguai evidenciam má administração

Projeto, há muito adiado, tornou-se um microcosmo dos problemas profundos da Organização Trump

Jesse Drucker e Manuela Andreoni, The New York Times

21 de junho de 2019 | 06h00

PUNTA DEL ESTE, URUGUAI - Este deveria ser um dos projetos mais ambiciosos da Trump Organization: um condomínio de 25 andares e 156 unidades com vista para o mar em uma torre de luxo em uma praia uruguaia, incluindo quadra de tênis coberta, piscina e heliporto.

Em vez disso, a Trump Tower Punta del Este se converteu em um fracasso. A construção está atrasada. O corretor de Miami que administra a venda das unidades moveu uma ação contra a construtora local. Os compradores estão colocando suas unidades à venda. Operários envolvidos no projeto dizem não saber quando (ou se) a torre será concluída.

“É uma piada", disse Felipe Rozenmuter, lojista que assinou um contrato para usar uma das unidades da torre. “Não há ninguém trabalhando ali. Tudo está parado.” Os problemas no Uruguai são um microcosmo dos desafios enfrentados pela empresa da família do presidente Donald Trump e suas apostas em projetos futuros fora dos Estados Unidos.

Planos para a construção de um hotel no México foram abandonados em meio a processos. Uma torre no Azerbaijão segue aguardando inauguração. E as obras de pelo menos sete outros projetos anunciados em seis outros países nem sequer começaram. Punta del Este é um destino badalado frequentado por celebridades, usado para a lavagem de dinheiro e a evasão fiscal, e seu litoral é repleto de iates. Há mais torres sendo erguidas, incluindo projetos de alto padrão com marcas de luxo.

A Trump Organization apresentou o projeto de Punta del Este em 2012, dizendo que a construção da torre seria concluída até 2016. Agora, o cronograma prevê o término para 2020. A construção do edifício seria paga com o dinheiro captado com a venda das unidades, e o valor de algumas delas ultrapassava a marca dos US$ 2 milhões. A construtora, YY Development Group, apostou na marca Trump para vender o projeto. Então, começaram os problemas.

A YY usou o terreno do projeto como garantia para pelo menos dois empréstimos, um deles no valor de aproximadamente US$ 5 milhões. Mas o segundo empréstimo não foi revelado a alguns dos primeiros compradores das unidades. Quando estes ficaram sabendo que as finanças da construtora estavam em mau estado, decidiram cancelar a compra.

Em seguida, teve início uma disputa com a corretora contratara para vender as unidades. A corretora processou a YY pedindo US$ 3,3 milhões em comissões devidas e indenizações. Com o processo, a venda de novas unidades pode ser paralisada. Em janeiro, o filho de Trump, Eric, disse que aproximadamente 82% das unidades da torre tinham sido vendidas. Mas as vendas resultaram em apenas cerca de metade do dinheiro esperado, o que deixou a torre com problemas financeiros, de acordo com uma pessoa informada a respeito dos detalhes.

Ainda que a estrutura de concreto do arranha-céu tenha sido basicamente concluída em 2017, o restante das obras avança lentamente. A infraestrutura elétrica é instalada por um único eletricista. A piscina planejada é, por enquanto, apenas um buraco inacabado. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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