Andres Kudack para The New York Times
Andres Kudack para The New York Times

Atualização do Walmart leva em consideração a Amazon

Um gigante do varejo olha para a Índia e outras nações em busca de crescimento

Michael Corkery, The New York Times

11 Junho 2018 | 10h00

Sam Walton, que abriu a primeira loja do Walmart na cidade de Rogers, no Arkansas, em 1962, considerava a si mesmo um comerciante de dons naturais. “Eu sabia vender’’, escreveu ele. Agora a gigante do varejo precisa mostrar que também sabe comprar.

No mês passado, o Walmart anunciou um acordo de US$ 16 bilhões para comprar 77% do serviço indiano de comércio eletrônico Flipkart como parte de sua estratégia para capturar uma fatia de um mercado em rápido crescimento e cada vez mais ávido por tecnologia. O acordo com a Flipkart foi um dos maiores e mais arriscados da história do Walmart.

O acordo foi impulsionado pela realidade apontando que a estratégia do sr. Walton precisa de uma atualização para uma era de compras digitais dominada por outra gigante: a Amazon.

Durante décadas, o Walmart se manteve numa marcha constante para construir cada vez mais lojas em todo o território americano, esmagando os mercados locais e as lojas de departamentos com seus preços mais baixos. Mas, atualmente, há uma loja do Walmart dentro de um raio de 15 quilômetros para 90% da população dos Estados Unidos, o que significa que não há mais espaço para muita expansão.

Empresa historicamente frugal que se envolveu em poucos acordos, o Walmart está agora gastando bilhões na busca por novos mercados no exterior e novos segmentos demográficos, reforçando também suas ofertas de produtos perecíveis.

O Walmart começou a criar uma aliança global de varejistas e empresas de tecnologia que têm a Amazon como rival em comum. A empresa fez parceria com o Google para as compras online, enquanto a Microsoft ficará com parte da Flipkart, dividindo-a com o Walmart.

Scott Mushkin, analista de varejo da firma Wolfe Research, disse estar preocupado com a sabedoria da decisão da Walmart de atacar os redutos da Amazon.

“Eles parecem um pouco obcecados com a concorrência da Amazon", disse ele.

Para o diretor executivo do Walmart, Doug McMillon, a Índia é a fronteira dourada do varejo digital. O país abriga 443 milhões de jovens da geração do milênio, e a difusão dos smartphones deve dobrar nos próximos três anos.

“Quando nos afastamos um pouco, observamos o mundo e analisamos as condições dos diferentes países, como tamanho, taxa de crescimento e potencial, simplesmente não há outras oportunidades como essa”, disse McMillon.

Os investidores não partilham do entusiasmo dele.

O Walmart está implorando pela paciência de Wall Street. A empresa está reorganizando seus negócios internacionais para liberar dinheiro e recursos com o objetivo de manter o foco nos mercados de maior crescimento, deixando para trás aqueles menos promissores.

Em abril, o Walmart concordou em vender uma grande participação na rede britânica de mercados Asda para a rival J. Sainsbury. O acordo vai gerar cerca de US$ 3,7 bilhões e aliviar a pressão sentida pelo Walmart no sentido de aumentar seus negócios no ramo dos mercados britânicos, onde a empresa enfrenta intensa concorrência das lojas de preços baixos.

No Japão, o Walmart vendeu lojas e criou uma parceria com a Rakuten, líder local do comércio eletrônico, incluindo a oferta de um serviço de entregas para compras de supermercado feitas online.

Na China, o Walmart está aprofundando seus laços e comprando uma pequena participação na JD.com, que concorre com a Amazon e com a gigante chinesa do comércio eletrônico Alibaba.

Mas o Walmart terá de gastar bilhões para transformar a Flipkart num negócio lucrativo.

A maior aposta do Walmart para os compradores urbanos foi o investimento de US$ 3 bilhões na aquisição da Jet.com, site de comércio eletrônico que oferece uma variedade de produtos e serviços, em agosto de 2016. Mas, no trimestre passado, analistas afirmaram que o crescimento da Jet tinha perdido o fôlego e a empresa disse que concentraria seus esforços na busca por novos clientes por meio do seu site principal, Walmart.com.

“Boa parte dos esforços para crescer o comércio eletrônico são voltados para atrair um público de renda mais alta”, disse Mushkin. “O problema é que a marca Walmart nem sempre é bem recebida.”

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