Eduardo Verdugo/Associated Press
Eduardo Verdugo/Associated Press

Autoridades se esforçam para proteger testemunhas contra El Chapo

Promotoria dos EUA adota rígidas medidas para manter identidades em segredo

Alan Feuer, The New York Times

13 Outubro 2018 | 06h00

Chefões internacionais do tráfico de drogas às vezes matam pessoas que planejam subir ao banco das testemunhas contra eles. Isso aconteceu tão frequentemente no México, por exemplo, que alguns descrevem o programa de proteção de testemunhas do país como um programa de detecção de testemunhas, ou uma lista da morte.

Conforme as autoridades de Nova York se preparam para o julgamento, no próximo mês, do mais famoso chefão do tráfico no mundo - Joaquín Guzmán Loera, mais conhecido como El Chapo -, elas tomaram medidas extraordinárias para evitar que as pessoas que atuarão como testemunhas sejam mortas. Os advogados de Guzmán afirmam que essas rígidas medidas de proteção têm dificultado a construção da defesa.

Aqui estão algumas formas de atuação da promotoria para manter as testemunhas sob um véu de segredo:

Protegendo nomes

Promotores têm argumentado que Guzmán representa um “perigo extremo” a ex-aliados, rivais e subalternos que testemunharão contra ele. O governo se recusou a identificar as testemunhas em documentos públicos, afirmando que, se o fizer, o cartel de traficantes de Sinaloa, que Guzmán comandou por 20 anos, poderia buscar vingança.

O advogado de Guzmán, A. Eduardo Balarezo, argumentou que ocultar as identidades das testemunhas prejudicará sua habilidade de elaborar a defesa.

Mas documentos judiciais e relatórios forneceram pistas sobre quem testemunhará contra Guzmán em 5 de novembro.

Entre eles, estão Pedro e Margarito Flores, dois irmãos que supervisionavam a distribuição de milhões de dólares em cocaína por todos os Estados Unidos; Vicente Zambada Niebla, filho de Ismael Zambada García, o segundo em comando de Guzmán; Damaso López Núñez, que ajudou Guzmán a fugir da prisão em 2001; e o filho de López, Damaso López Serrano, que em janeiro se declarou culpado de acusações de importar cocaína, heroína e metanfetamina nos Estados Unidos.

Algumas das testemunhas do governo já estão na cadeia e são mantidas em estabelecimentos conhecidos como unidades protetivas de custódia, de acordo com documentos judiciais. Outras estão sob o programa de proteção a testemunhas, em localidades secretas, e receberam novas identidades.

Promotores também se preocuparam com a segurança do júri no caso. Ainda este ano, eles persuadiram um juiz federal, Brian M. Cogan, a permitir que os jurados atuem sem se identificar.

Mantendo-se preparados

Rigorosas medidas de proteção para testemunhas são necessárias porque Guzmán tem um histórico de matar e sequestrar aqueles que ousaram falar contra ele, afirmaram os promotores.

Guzmán foi acusado de ter ordenado as mortes de milhares de pessoas. Isso além das acusações de ter contrabandeado mais de 200 toneladas de cocaína para os Estados Unidos.

Antes de sua extradição, Guzmán também escapou duas vezes de prisões no México, em fugas ousadas.

Isolando El Chapo

Os advogados de Guzmán rejeitam a noção de que ele representa uma ameaça para qualquer pessoa, dado que passou os últimos dois anos no local chamado de 10 South, a ala de segurança máxima do Centro Carcerário Metropolitano, a mais impenetrável cadeia da cidade de Nova York.

Somente visitas de seus advogados e de suas filhas de 7 anos são permitidas. A cada mês, são autorizados dois telefonemas de 15 minutos a sua mãe e a sua irmã, que o governo escuta. Com exceção disso, ele está “completamente isolado do mundo fora de sua desoladora cela”, escreveu Balarezo no mês passado.

“Na verdade,a não ser que o governo esteja insinuando que a equipe de advogados da defesa transmitirá ordens de assassinato em nome de Guzmán, não há nada que ele possa fazer” contra as testemunhas, afirma.

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