Jeenah Moon para The New York Times
Jeenah Moon para The New York Times

Bach Store: uma loja em Manhattan dedicada à música de Bach

Local, que será temporário, oferece música ao vivo e souvenis de músico alemão

Michael Cooper, The New York Times

14 de dezembro de 2018 | 06h00

Parecia uma típica lojinha improvisada: os letreiros de neon, as paredes vazias, o balcão logo na entrada. Mas, nesta loja temporária de Manhattan, as ofertas eram musicais: obras de Johann Sebastian Bach. Lá dentro, Evan Shinners, pianista formado na Juilliard, tocou cinco horas de Bach todos os dias, por mais de 30 dias seguidos, e fez concertos noturnos para convidados. O nome da loja é Bach Store.

A cena de Shinners tocando piano de cauda atrás das janelas de um antigo banco, bem perto da entrada do Carnegie Hall, atraía um fluxo de ouvintes. Marica Coniglio, turista da Sicília, parou por ali depois de visitar o Museu de Arte Moderna. “Foi um momento muito pacífico e incomum”, disse ela. David Niles, nova-iorquino, estava pegando uma bicicleta compartilhada nas redondezas quando ouviu a música. “Uma surpresa inesperada”, disse ele.

E o pianista Emanuel Axe estava perambulando pela região quando se deparou com a cena: “Eu pensei: uau, ótima ideia”, disse ele. A Bach Store foi um esforço para tornar a obra de Bach mais acessível e disponível - e também uma espécie de jornada pessoal para Shinners.

“Meus braços estão exaustos”, disse ele no vigésimo dia. Ele vinha tocando na loja diariamente, das 12h às 17h30, e os concertos noturnos começavam às 18h15. Tinha mercadorias também: camisetas com o nome do alter ego de Shinner, “W.T.F. Bach”; isqueiros de Bach; bolas de estresse em forma de cérebros com os dizeres “O seu é diferente do de Bach”; e preservativos cuja embalagem informava que Bach tivera vinte filhos.

Shinners, de 32 anos, disse que o projeto foi, pelo menos em parte, inspirado por uma experiência que ele teve ao tentar estudar sob a tutela de Pierre Hantaï, cravista e intérprete de Bach que o rejeitou - com uma carta de duas páginas e bastante profundidade que ele acabou levando a sério demais.

“Ele procurou meu nome no Google e me dispensou, porque me viu como parte de uma geração que tenta tornar a alta cultura mais acessível por meio de estripulias no YouTube e coisas desse tipo - e eu certamente tenho culpa nisso”, disse Shinners, que fez vídeos tocando Bach em dois pianos de uma vez só e, sob o nome de WTF Bach, faz arranjos eletrônicos para as obras do compositor. Na carta a Shinners, Hantaï escreveu que o motivo de sua recusa não era uma questão de estilo, mas de elevação espiritual.

“Assumi o compromisso de encarar essa frase durante cinco horas por dia e de tentar me elevar espiritualmente”, disse ele. “E também de me colocar em um ambiente público, onde eu teria de me expor de uma maneira que eu temia”. Um trecho da carta de Hantaï, traduzido para o inglês, foi pintado na parede atrás do piano que Shinners tocava todos os dias. “Bach é, acima de tudo, pensamento”, dizia. 

O projeto contou com o apoio de uma bolsa da Academia de Música do Oeste, na Califórnia, onde Shinners estudou em 2009. Scott Reed, presidente da academia, disse que o projeto representava “a acessibilidade máxima da boa música”. Shinners imaginou que tocaria apenas em novembro, mas decidiu estender o projeto até a primeira semana de dezembro. E já está pensando em uma reedição. “Tantas pessoas vêm aqui e saem tão extasiadas, é comovente”, disse ele. “Então, acho que vou ter que fazer tudo isso de novo”.

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