Tamir Kalifa para The New York Times
Tamir Kalifa para The New York Times

Bacia Permiana põe EUA no topo dos produtores mundiais de petróleo

Inovação, investimento e geologia convidativa deram nova vida a campo de petróleo entre Texas e Novo México

Clifford Krauss, The New York Times

11 de fevereiro de 2019 | 06h00

MIDLAND, TEXAS - Quando aconteceu o colapso global dos preços do petróleo, há cinco anos, dezenas de companhias americanas faliram. Mas um campo floresceu: a Bacia Permiana, entre o Texas e o Novo México. Uma combinação de inovação tecnológica, investimentos agressivos e abundantes camadas de óleo de xisto transformaram a Permiana, outrora considerada um segmento esgotado, no segundo maior produtor mundial do óleo.

Agora, com os preços ainda muito abaixo do pico, a Permiana está em grande produção e exploração, e a maior preocupação é como criar uma maior capacidade para que todo este óleo chegue ao mercado. O frenesi da exploração do xisto permitiu que os Estados Unidos não só reduzissem as importações de óleo bruto, como também se tornassem grandes exportadores pela primeira vez em meio século. 

Sua abundância também fez com que os Estados Unidos crescessem diplomaticamente, permitindo que impusessem sanções ao Irã e à Venezuela sem se preocuparem com o aumento dos preços da gasolina. O aumento das exportações de petróleo cru do Texas pressionou os preços globais a baixar, e este é o motivo principal para a Rússia e a Arábia Saudita terem reduzido recentemente a sua produção a fim de forçar o aumento dos preços do bruto.

“Os produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) nunca imaginaram que a Bacia Permiana viesse a ser o novo astro produtor mundial”, afirmou René Ortiz, do Equador, ex-secretário-geral da organização. “Eles nunca pensaram que um único campo - um campo, e não um país - pudesse realmente ser o campo monstruoso da sua imaginação”.

Agora, produzindo 4 milhões de barris diários, o permiano gera mais petróleo do que qualquer um dos 14 membros da OPEP, com a exceção da Arábia Saudita e do Iraque. Ao todo, a produção de petróleo dos EUA aumentou de 2 milhões de barris ao dia no ano passado para um recorde de 11,9 milhões de barris, tornando os EUA os maiores produtores mundiais.

Novas tecnologias para a prospecção e o fraturamento hidráulico contribuíram para baixar os custos da prospecção e da produção. Ele se distingue dos outros campos de xisto betuminoso por suas enormes dimensões, pela espessura de suas múltiplas camadas de xisto - algumas de até 300 metros - e por sua proximidade das refinarias do Golfo do México.

Hoje, o maior risco dos produtores é que a excessiva produção faça os preços caírem demais e comprometam sua lucratividade. Isto poderá levar também a uma série de ações agressivas por parte da OPEP e do seu novo aliado, a Rússia. Nada menos que 15 oleodutos e gasodutos que atenderão à Bacia Permiana deverão estar concluídos em meados de 2020, quadruplicando potencialmente as exportações do Golfo do México para 8 milhões de barris diários.

Há sinais de expansão em toda parte, no deserto no Oeste do Texas. Quando o dia amanhece, os caminhões firmam filas de cerca um quilômetro para carregar a areia nas minas e levá-la até o local do fraturamento. A concorrência por mão de obra é tão feroz que os restaurantes de fast-food têm painéis com luzes intermitentes anunciando os seus salários. A Anadarko Petroleum e a Plains All American Pipeline estão construindo escritórios regionais. As tarifas dos hotéis nas estradas e os aluguéis dos apartamentos subiram tanto que os estacionamentos de trailers são a única opção para muitos trabalhadores.

“Vou ter trabalho aqui para sempre”, disse Mike Wilkinson, motorista de caminhão. “Por mais que este lugar seja desagradável para se olhar, aqui precisarão de gente como eu para transportar equipamentos pelos próximos anos”. Wilkinson tem razão para estar entusiasmado. As grandes companhias petrolíferas deverão investir aqui um total superior a 10 bilhões de dólares este ano, segundo a IHS Markit, uma empresa de consultoria de energia.

Entretanto, a produção dos poços de xisto betuminoso em geral declina rapidamente, tornando a prospecção um trabalho interminável. Este tem sido o desafio para pequenas companhias como a Parsley Energy. O preço de sua ação caiu pela metade nos dois últimos anos porque ela gastou o seu fluxo de caixa comprando terra e aumentando a produção. No final do ano passado, com a queda dos preços do petróleo, a Parsley mudou a sua estratégia. Este ano, ela está reduzindo a prospecção e a produção em $ 300 milhões.

“Todos devemos estar preparados”, disse Matt Gallagher, o diretor executivo da Parsley, para uma queda dos preços de seis meses. “Estamos a uma mensagem do Twitter de distância de um acordo com o Irã e 40 dólares o barril de petróleo.” As multinacionais dispõem dos recursos necessários para manterem seus planos de desenvolvimento agressivo e terem uma visão mais de longo prazo. Muitas têm seus próprios oleodutos, refinarias e pessoal para vender o seu petróleo ao preço mais alto.

Em janeiro, a Chevron concluiu a aquisição de uma refinaria em Pasadena, Texas, que pertencia à Petrobras por 350 milhões de dólares para refinar mais produtos da Bacia Permiana. “Nós não estamos aqui para um novo ciclo de expansão e contração. Estamos aqui para desenvolver um recurso geracional”, disse Amir Gerges, o gerente geral da Shell no permiano.

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