Matthew Abbott para The New York Times
Matthew Abbott para The New York Times

Bailes de solteiros ajudam jovens do interior da Austrália a namorar

Nas cidades, o flerte acontece muito graças aos aplicativos de encontros. Mas para quem vive longe das metrópoles, precisa de mais planejamento e paciência

Damien Cave, The New York Times

29 de novembro de 2019 | 06h00

ARIAH PARK, AUSTRÁLIA - Para eles, esta é uma competição onde não há ganhadores e nem perdedores. Sem muitas camisas, também. Recentemente, um homem só usava uma cinta de ferramentas, e ninguém parecia se importar enquanto os jovens australianos do interior mais molhados e bêbados combatiam na lama vermelha, para depois levantar-se e receber abraços.

Duas horas mais tarde, apareceram transformados: os homens de black tie e  as mulheres de vestido chique. O Baile dos Solteiros em Ariah Park teve assim início oficialmente. Afinal, não é sempre que 1,5 mil pessoas vão a este vilarejo (população 493 habitantes) para se divertir. Eles estavam em busca de amor. “Sim, estamos aqui para conhecer pessoas”, disse Emme Williams, 22, estudante de veterinária.

Nas cidades, o flerte se tornou eficiente até demais, com uma variedade de aplicativos de encontros. Mas para as pessoas que vivem nos enormes espaços da Austrália, precisa de mais planejamento e paciência. Os bailes de solteiros, e solteiras, típicos da região rural desde os anos 1880, têm como objetivo ajudar estes jovens. E se tornaram cada vez mais um catalizador para encontros híbridos que combinam o digital com o rústico, o comunitário e o real.

A interação começa online, com amigos que postam fotos e descrições de amigos de um grupo de solteiros do Facebook antes de cada baile. Emme foi apresentada com pouca roupa, apenas com a lã de um carneiro recentemente tosquiado. Os sortudos continuam o flerte via Snapchat.

E então a socialização começa na vida real. “Você está limitada a três rapazes solteiros em seu vilarejo, e se relaciona com dois deles”, explicou Ebony Worland, 25, uma das organizadoras dos bailes.” “Estes foram criados para mulheres e homens solteiros interioranos encontrarem o amor, de verdade”.

Juntamente com a cerveja que corre solta e as picapes com escapamentos barulhentos chamadas ‘ute’, em que o motor é ligado e desligado para provocar estrondos e chamas, há pessoas que se conheceram nos bailes e voltam para socializar, como Jess e Matt Chown. Ela contou: “Nós nos conhecemos em um baile em 2011. Pus os olhos nele e foi amor à primeira vista”.

Nas proximidades, Emme procurava um solteiro na multidão. Uma das suas amigas, Stephanie Papulia, 22, apontou um rapaz com uma nova ute que devia ter custado uma fortuna. “Ele tem uma Land Cruiser e cabelo com corte de tainha”, disse Stephanie. “Para atender a todos os desejos”. A maioria dos homens de Ariah Park está sendo mais “cavalheiresca”, disseram, do que o seu comportamento poderia sugerir.

Mas alguns bailes em outras cidades ficaram perigosos: em um deles, em 2017, dois homens foram condenados por estuprar uma mulher. O principal problema de Ariah Park parece ser a tinta de comida. Ninguém conseguiu explicar o por quê, mas há anos, os participantes se sentem obrigados a cuspir tinta um no outro.

A primeira banda, Whiskey Business, deu o tom, com músicas country aceleradas. Perto do palco, os homens se balançavam no ritmo. Muitos deles pareciam desajeitados. Algumas mulheres decidiram tomar coragem. “Está comprometido?” elas perguntaram aos seus pares. Mas a certa altura da situação, houve mais ternura. Uma mulher de vestido verde dançava com o seu parceiro de barba. “Amo você”, ela disse. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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