Tom Jamieson para The New York Times
Tom Jamieson para The New York Times

Bancos exclusivos em aplicativos crescem na Europa e têm como alvo financiadores tradicionais

Regulamentos favoráveis e influxo de capital de risco fizeram de Londres um campo de testes para bancos sem agências físicas

Adam Satariano, The New York Times

22 Outubro 2018 | 07h00

LONDRES - Greg Stevenson procurou refinanciar a hipoteca da casa, no leste da Inglaterra, quando as coisas começaram a piorar. Uma tentativa do seu banco, o TSB, de transferir dados para um novo sistema deu muito errado. Durante incontáveis dias, que quase o levaram à loucura, não pôde acessar a sua conta, transferir recursos ou falar com alguém do banco que pudesse ajudá-lo.

“Eu me senti abandonado”, disse Stevenson, desenvolvedor de software de 31 anos. “Eu precisava movimentar dinheiro, e precisava acessar o meu banco”.

A falha do sistema, em abril, que afetou cerca de dois milhões de clientes do TSB, foi um momento determinante para Stevenson. Ele transferiu o seu dinheiro para a Monzo, uma start-up britânica. Ela pertence ao número crescente de empresas que, na Europa oferecem contas bancárias e cartões para caixas eletrônicos, mas não possui instalações físicas - tudo é feito por meio de um aplicativo.

As chamadas empresas ‘fintech’ procuraram assumir as funções dos grandes bancos durante anos, mas só recentemente companhias como a Monzo conseguiram montar uma considerável base de clientes. Elas têm milhões de clientes em toda a Europa, na maioria entre os 20 e os 40, nos últimos dois anos. E graças às regulamentações favoráveis na região e ao ingresso de capital de risco, a mudança está acelerando.

Na Grã-Bretanha, as autoridades passaram a se preocupar com o poder dos grandes bancos depois da crise financeira de 2008, e agora acham que as start-ups poderiam enfraquecer a posição das instituições de empréstimo tradicionais. Além de fazerem aplicativos rápidos, as companhias baixaram consideravelmente as taxas para gastos no exterior e já fazem transferências de recursos.

“Nossa reguladora tem uma mentalidade muito avançada”, disse Tom Blomfield, 33, um dos fundadores e diretor executivo da Monzo.

A empresa começou com financiamentos coletivos e continua pequena em comparação com as gigantescas instituições do setor bancário britânico, mas os clientes estão chegando. Cerca de 75% dos 900 mil clientes da Monzo têm menos de 40 anos. E ela recebe mais de 2 mil novos clientes por dia.

Entretanto, os bancos digitais enfrentam inúmeros problemas. O principal é como ganhar dinheiro. No ano passado, as perdas da Monzo quadruplicaram para 33,1 milhões de libras esterlinas. A companhia está criando um mercado em que os clientes podem comprar os serviços financeiros oferecidos por outras empresas, e a Monzo recebe uma taxa. No meio tempo, ela ganha algum dinheiro com os saques a descoberto e as taxas do serviço dos caixas automáticos, além disso, começou a oferecer, a título de experiência, empréstimos a curto prazo de até 1 mil libras.

A Revolut, outra start-up, tem mais de 2,75 milhões de clientes em toda a Europa, ao ritmo de 7 mil por dia.

Martin Mignot, parceiro da Index Ventures e membro do conselho da Revolut, disse que a falha do sistema do TSB representa o tipo de problema que os bancos tradicionais enfrentam: um dispendioso espaço no varejo e sistemas lentos. O Revolut e outros são mais ágeis. “É uma mentalidade diferente”, afirmou.

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