Brian L. Frank para The New York Times
Brian L. Frank para The New York Times

Banho de gelo pode retardar crescimento de novos músculos

A imersão em água gelada pode desacelerar o crescimento do tecido muscular

Gretchen Reynolds, The New York Times

06 de novembro de 2019 | 06h00

Banheiras cheias de água gelada e ocasionalmente, cubos de gelo, são comuns nos locais de treinamento de atletas profissionais e em alguns ginásios esportivos. Mas mergulhar em água gelada depois de levantar pesos pode alterar a resposta dos músculos ao esforço físico e provocar um crescimento menor da musculatura do que não fazer nada para recuperar-se, mostra um novo estudo.

Os defensores deste método afirmam que a água gelada reduz a dor e a inflamação muscular após os treinos, minimiza o dano muscular, permite que as pessoas retornem mais cedo a um treinamento completo, e encoraja mudanças no tecido que contribuem para o crescimento dos músculos. Entretanto, há muitas questões a respeito destes banhos que permanecem sem resposta.

Para o novo estudo, publicado em setembro no Journal of Applied Physiology, cientistas da Deakin University e da Victoria University de Melbourne, Austrália, e de outras instituições recrutaram 16 jovens saudáveis que atualmente não se dedicam ao levantamento de pesos. Eles testaram a força muscular atual dos homens e a composição do seu corpo, e depois os dividiram em dois grupos.

Ambos os grupos começaram uma rotina de treinos de resistência progressivos para o corpo todo, três vezes por semana durante sete semanas. Após cada sessão, a metade dos homens se recuperava ficando tranquilamente sentada no ginásio por 15 minutos. Depois de cada exercício, os outros ficavam imersos por 15 minutos em banheiras de água gelada a uma temperatura constante de cerca de 10 Cº.

Os cientistas constataram que os homens de ambos os grupos se tornaram mais fortes após o teste. Mas, internamente, os seus tecidos pareciam diferentes. Todos os homens desenvolveram fibras musculares maiores em sete semanas de levantamento de pesos. Mas o aumento do tamanho das fibras foi muito maior nos que permaneceram sentados após cada esforço do que nos que haviam entrado na água fria.

Os músculos destes apresentaram níveis menores de uma proteína que comprovadamente promove o crescimento do tecido e maiores quantidades de uma proteína diferente envolvida no desgaste dos tecidos. Na realidade, os músculos dos que entraram na água fria tornaram-se bioquimicamente preparados para uma recuperação mais lenta e para um crescimento menor do que os tecidos dos outros homens, disse Aaron Peterson, que chefiou o estudo novo.

Os pesquisadores suspeitam que as repetidas imersões na água fria podem ter desencadeado reações metabólicas no organismo que priorizam manter os tecidos aquecidos em lugar de ajudá-los a crescer. Este estudo foi reduzido e envolveu apenas jovens e atletas que treinavam o levantamento de peso, por isso suas constatações talvez não se apliquem às mulheres, a pessoas idosas ou atletas de outros esportes. 

Os resultados poderiam talvez ter implicações diferentes para outros atletas. “Se uma pessoa não quer criar músculos”, disse Petersen, os banhos gelados depois do levantamento de pesos podem valer a pena. Mas para os que esperam tornar-se mais fortes e mais musculosos, prosseguiu, “com base no nosso estudo e na pesquisa anterior, a imersão em água fria depois do levantamento de pesos não é recomendada”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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