Haruka Sakaguchi para The New York Times
Haruka Sakaguchi para The New York Times

Barbie luta para sobreviver à era digital

Fabricantes buscam alternativas que mantenham brinquedos vivos entre crianças cada vez mais rodeadas de equipamentos eletrônicos

Caroline Arbour, The New York Times

02 Fevereiro 2019 | 06h00

A Barbie está acostumada às mudanças de estilo. De apicultora a cirurgiã, passando por agricultora,  a boneca de 59 anos já fez quase tudo. Mas, agora, enfrenta um de seus maiores desafios: manter sua popularidade num mundo cheio de dispositivos reluzentes e interativos.

A fórmula tradicional, consistindo em uma boneca de beleza convencional com um guarda-roupa interminável e uma linha caleidoscópica de acessórios não é mais suficiente.

"Bonecas, figuras articuladas e carros em miniatura estão disputando a atenção das crianças, que passam horas por dia brincando com jogos eletrônicos em celulares, tablets, computadores e consoles", escreveu Julie Creswell no Times.

A Mattel, empresa responsável pelas bonecas Barbie, American Girl e outras linhas, viu sua receita cair muito conforme as crianças buscam cada vez mais as diversões eletrônicas (ainda que a Barbie tenha se mantido estável).  

O mais novo presidente e diretor-executivo da empresa, Ynon Kreiz, é virtualmente inexperiente no ramo dos brinquedos. Mas ele tem um plano para atrair as crianças de hoje, expandindo as marcas da Mattel com novo conteúdo de mídia. A empresa deve produzir um filme com atores de verdade estrelando a atriz australiana Margot Robbie no papel de Barbie.

"A Mattel está fazendo algo que deveria ter feito dez anos atrás", disse ao Times o analista Michael Swartz, do banco de investimentos SunTrust Robinson Humphrey.

Uma forte presença digital pode levar uma boneca longe. Basta ver o exemplo de Qai Qai e seus mais de 100 mil seguidores no Instagram. O nome é pronunciado como "kwey kwey". Trata-se de um bebê de plástico que pertence a Olympia Ohanian, filha da estrela do tênis Serena Williams com o marido, Alexis Ohanian.

"Qai Qai assume várias formas (conhecidas)", escreveu Caity Weaver no Times. "É uma boneca, uma usuária do Instagram, uma conta do Twitter, uma representação animada de uma boneca sobreposta a fotos digitais e um personagem imaginário semelhante a um Gremlin que prega peças fictícias atrapalhando as vidas de Olympia Ohanian e sua família".

Embora seja difícil determinar qual foi exatamente a característica dela que atraiu os seguidores, eis um palpite: sua personalidade é engraçada. 

"Qai Qai é algo cada vez mais raro e valioso na sociedade moderna: um entretenimento descompromissado", escreveu Caity.

Embora a adoção da tecnologia pareça ser uma etapa crucial para as bonecas de hoje, ainda há espaço de sobra para a nostalgia. Basta pensar no exemplo dos bonecos troll doll e seus cabelos coloridos, que evocam uma época mais simples para Jennifer Miller, também conhecida como pastora Jen, proprietária e curadora do Troll Museum (atualmente fechado), no Lower East Side de Nova York. O museu reabriu temporariamente dentro de um hotel de luxo, com "uma parede repleta de trolls de cabelo espetado e colorido, retratos psicodélicos de trolls e outros artigos obscuros ligados a esses bonecos", escreveu Alex Vadukul no Times.

O fascínio da pastora Jen com essas bonecas começou quando ela ganhou seu primeiro troll na infância. 

"Acho que gostava do fato de estarem sempre felizes e sorrindo", disse.

Ainda que a ressurreição tenha sido breve, a pastora Jen contou que o museu dos trolls “é um estado de espírito. E eu sempre estarei no museu". 

Para ela, quem sabe investindo numa presença online os trolls possam retomar o mundo.

"A marca My Little Pony tinha perdido a relevância até mais ou menos 2009 ou 2010, quando começou a ser reinventada no nível dos brinquedos e da mídia", disse Swartz. "Agora a marca movimenta US$ 1 bilhão por ano".

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