Destilados Clase Azul
Destilados Clase Azul

Garrafas pintadas à mão dão toque especial à tequila

Arte é também uma vitrine da cultura mexicana

The New York Times, Shivani Vora

15 de agosto de 2019 | 06h00

Segundo Arturo Lomeli, a cidade mexicana de San Miguel de Allende é “um dos lugares mais fotogênicos que eu já vi”.

Em dezembro, ele adquiriu ali uma casa de 1806 e contratou uma equipe de arquitetos e designers para restaurá-la. Mas Lomeli, fundador da marca de tequila Clase Azul, mora em Los Angeles e não pretende se mudar para lá. Ao contrário, ele quer usar a casa para promover a cultura mexicana e a sua tequila, oferecendo aos visitantes a chance de pintar as garrafas feitas à mão que contêm a tequila.

Um artesão local demora 11 dias para fazer cada garrafa. O processo implica mesclar diferentes tipos de terras para criar uma base que é despejada em um molde de madeira, polida, esmaltada, pintada e cozida em um forno aquecido a mais de 1.150ºC.

“Queremos que as pessoas conservem estas garrafas para sempre e as utilizem como vasos, abajures e outros objetos decorativos”, afirmou Lomeli. A casa Clase Azul será inaugurada em breve.

Jonah Flicker, que escreve sobre destilados, disse que a Clase Azul foi uma das líderes na categoria tequila Premium, em grande parte por causa de sua embalagem única.

“As garrafas fascinam os consumidores que compram nas lojas e verificam o que acontece atrás do balcão, e o líquido no seu interior é considerado de qualidade realmente superior”, afirmou.  Os preços - que variam de US$ 70 a US$ 1.800 a garrafa - “podem ser ofensivos”, acrescentou, “mas é uma tequila muito especial”.

Lomeli descreveu San Miguel de Allende como um lugar mágico. “Aqui se encontram os melhores restaurantes e galerias de arte. Pessoalmente, adoro o lugar, e quis que o meu negócio tivesse ali uma forte presença”.

A casa de 515 metros quadrados, a pouca distância do centro histórico da cidade, tem dez quartos distribuídos em três níveis. Suas paredes de adobe têm 71 centímetros de espessura; um pátio interno de 35 metros quadrados com trepadeiras; tetos abobadados de quatro metros de altura, e sacadas de ferro fundido trabalhado. Os pisos são de ladrilhos de cerâmica, e todos os cômodos estão distribuídos ao redor do pátio.

Segundo Lomeli, não se trata apenas de uma reforma, mas de uma restauração - porque o seu objetivo é apresentar aos visitantes uma casa que tem o mesmo aspecto de quando foi construída.

Norma Barbacci, especialista em preservação que trabalhou em projetos em San Miguel de Allende e arredores, disse que a casa, assim como toda a arquitetura colonial da cidade, é uma obra de arte. “Ela conserva integralmente a identidade da cidade”, afirmou. “Preservá-la significa manter viva a história”.

Os trabalhadores estão limpando e reparando cada parede, viga e piso. A nova encarnação favorecerá uma paleta de cores neutras e madeiras rústicas antiga, assim como pisos de pedra.

Lomeli disse que pretende exibir arte - esculturas, pinturas, fotografias e instalações específicas do local de artistas que trabalham ativamente no México - e hospedar degustações e jantares que focam na cozinha mexicana.

Ele pretende passar o tempo ali ao lado dos visitantes. “É a minha casa, e é um lugar onde todos são convidados”, afirmou. / TRADUÇÃO ANNA CAPOVILLA

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