Pei et al.,Nature
Pei et al.,Nature

Bicicleta autônoma mostra o potencial da inteligência artificial

Cientistas tentam desenvolver tecnologia que aprende da mesma forma que o cérebro humano

Cade Metz, The New York Times

13 de agosto de 2019 | 06h00

Enquanto corporações gigantescas, como Ford e G.M., travam uma batalha para pôr nas estradas os seus carros autônomos, na China, uma equipe de pesquisadores reformula o transporte autônomo usando uma bicicleta.

Esta bicicleta pode passar sobre um obstáculo e, sozinha, manter-se de pé. Quando uma pessoa atrás dela dá a ordem, “esquerda”, ela vira à esquerda. E também tem olhos. Pode seguir alguém  que está correndo vários metros na sua frente. Se ela encontra um obstáculo, desvia para o lado, sem perder o equilíbrio, e continua o seu caminho.

Esta não é a primeira bicicleta autônoma e nem, provavelmente, o futuro dos transportes. No entanto, os pesquisadores chineses que a construíram  afirmam que ela mostra o futuro da arquitetura dos computadores. Esta máquina se movimenta com a ajuda de um chip neuromórfico, construído segundo o modelo do cérebro.

Em um artigo publicado no dia 31 de julho na revista Nature, os pesquisadores descreveram como este chip poderá ajudar as máquinas a atender aos comandos de voz, a reconhecer o mundo ao redor, a evitar obstáculos e a manter o equilíbrio. Os pesquisadores também produziram um vídeo que mostra estas habilidades em uma bicicleta motorizada. Obtendo todas estas habilidades com um processador neuromórfico, o projeto destacou o esforço maior que visa atingir novos patamares da inteligência artificial (IA) graças a novos tipos de chips.

O que se espera é que estes chips permitam que as máquinas se desloquem pelo mundo com uma autonomia que hoje não é possível. Os robôs de hoje podem aprender a abrir uma porta ou a jogar uma bola de pingue-pongue em um balde de plástico, mas o treinamento leva horas ou mesmo dias de tentativas e erros. Com a ajuda de chips neuromórficos e de outros processadores mais recentes, as máquinas aprendem tarefas mais complexas de maneira mais eficiente.

Nos últimos dez anos, o desenvolvimento da IA acelerou graças às chamadas redes neurais: complexos sistemas matemáticos que podem aprender pela análise de enormes quantidades de dados. Esta é a tecnologia que reconhece rostos nas fotos postadas no Facebook ou identifica os comandos que você dá ao seu smartphone.

Estas redes contribuem para acelerar o avanço de robôs autônomos, como os automóveis que dispensam o motorista, mas não conseguem aprender sem uma enorme quantidade de exemplos.

Agora, os pesquisadores pretendem construir sistemas capazes de aprender da mesma maneira que o ser humano. E estão desenvolvendo chips especificamente para treinar e operar sistemas de IA.  Os projetos mais ambiciosos são os processadores neuromórficos, como o chip Tianjic que está sendo construído na Universidade de Tsinghua, na China.

Estes chips destinam-se a imitar a rede de neurônios do cérebro, aproximadamente como uma rede neural, mas com uma fidelidade muito maior. Os chips neuromórficos incluem centenas de milhares  de falsos neurônios. Estes neurônios operam trocando minúsculas explosões de sinais elétricos, “disparando” ou “intensificando-se” somente quando os sinais de entrada atingem limiares críticos, como acontece com os neurônios.

Os chips neuromórficos não são uma recriação do cérebro, mas espera-se que possam ajudar os sistemas de IA a aprender habilidades e a executar as tarefas de maneira mais eficiente. Como são projetados para processar informações em breves explosões, alguns pesquisadores acreditam que poderão levar a sistemas que aprendem na hora.

Os pesquisadores chineses definem o chip Tianjic como um passo adiante na direção da “inteligência artificial geral”, uma máquina que pode fazer qualquer coisa que o nosso cérebro faz.

“A ideia é lançar uma ponte para a ciência da computação e fundi-la à neurociência”, disse Gordon Wilson, o diretor executivo da Rain Neuromorphic, uma start-up que está desenvolvendo um chip neuromórfico. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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