Calla Kessler/The New York Times
Calla Kessler/The New York Times

Billie Eilish: o estilo ousado da representante da moda da Geração Z

A vencedora do Grammy está mostrando aos jovens um caminho para serem eles mesmos

Ruth La Ferla, The New York Times

26 de março de 2020 | 06h00

Mila Docheva posou para a câmera usando um moletom com capuz extragrande com uma inscrição grafitada em neon. A foto, postada no Instagram, era uma homenagem à pop star Billie Eilish. “Quando me visto como Billie eu me sinto mais próxima dela”, disse Mila em um e-mail (ela vive na Bulgária). “Não sou do tipo patricinha. Sou curvilínea e ando de skate. Sentir-me bem comigo mesma é que é importante para mim. O estilo de Billie me dá coragem para ser assim”.

Uma multidão de meninas e jovens vem repercutindo esse sentimento. São apaixonadas por Billie Eilish – que levou para casa um punhado de prêmios Grammy em janeiro – e estão copiando a imagem dela e postando seu novo look nas plataformas sociais, e são de lugares tão distantes como Tblilisi e Nashville. A base de fãs de Billie Eilish aumentou desde seu primeiro single, Ocean Eyes, que viralizou no SoundCloud há cinco anos.

A influência do seu estilo cresceu junto com seu sucesso musical e está à mostra no Instagram, onde ela tem milhões de seguidores. Algo que lembra um tipo de fervor em termos de moda raramente visto desde os primeiros vídeos de Madonna que incentivaram milhares de fãs da cantora a postar imagens suas como viúvas alegres usando uma pilha de pulseiras e correntes.

O entusiasmo das devotas de Billie Eilish denota a rejeição da nova geração da estética com relação à garota coquete representada por ídolos contemporâneos como Ariana Grande, preferindo algo mais improvisado e menos sensual. Aos 18 anos, Billie Eilish, que com frequência aparece sem nenhuma maquiagem, prefere uma mistura de estilos de roupa combinando o hip hop dos anos 1980 e 1990 e uma moda mais skatista, inspirando uma multidão da chamada Geração Z, cansada das mostras expressivas de sensualidade.

“Ela está revertendo a ideia de beleza para algo surreal, influenciado pelos jogos e a cultura cibernética”, disse Lucie Greene, estrategista de marca e especialista em previsão de tendências. Billie tem ignorado e até sabotado o estilo sexy que sempre foi considerado um pré-requisito para o estrelato. Para alguns ela é a Anti-Ariana, uma garota ingênua nada feminina. Seu look, paradoxalmente reservado é pontuado por mechas de cabelo azuis e verdes, tops e agasalhos esportivos estampados de modo desordenado, referências punk e góticas.

Rachel Gilman, estilista de moda que tem a Adidas como um dos seus clientes disse que “A idéia é pintar suas raízes de verde e usar as roupas mais folgadas que existem. É bom para as meninas verem que podem ter sucesso sem usar um sutiã com bojo”. O advento da estrela foi oportuno.

“Parece justo descrever a estética de Billie como um antídoto e uma deterioração do arquétipo da pop star hiper-feminina”., escreveu Amanda Petrusich na revista The New Yorker no ano passado. A aparente autenticidade de Billie chamou a atenção dos marqueteiros também. Sua aparição, no ano passado, na campanha publicitária I Speak MyTruth in #MyCalvins contrastou incisivamente com campanhas anteriores da Calvin Klein cujos modelos sempre foram garotos e garotas escassamente vestidos. Certamente ela faz alarde da sua originalidade.

”Poderia facilmente ser do tipo, você sabe como, de quem manda você ir buscar minhas roupas, ou alguém chega com a apresentação em vídeo do meu trabalho já pronta”, disse ela num perfil no The New York Times, no ano passado. “Mas não sou esse tipo de pessoa e não sou esse tipo de artista”.

Ela parece feliz, apesar de tudo, o bastante em explorar um fascínio com sua bravura em termos de moda, tendo feito parcerias com Freak City, plataforma online com sede em Los Angles e com lojas direcionadas para o pessoal jovem, como Urban Outfitters e Hot Topic.

E lançou uma linha infantil no Bohsh, loja online dela. Billie Eilish trabalha desde os seus 14 anos idade com Samantha Burkhart, estilista que tem clientes como Katy Perry, Cristina Aguilera e Mark Ronson. “Ela desfruta do desconforto de uma pessoa não se encaixar.

Isso atrai uma geração que cresceu farta da música pop manufaturada” que segue algoritmos. A devoção parece inabalável de qualquer modo. “Em muitas das suas músicas, ela fala de estar sozinha e ter medo”, disse Alisa Gordon, de 18 anos, de Nashville. “Quando vejo os seus vídeos de música, tudo faz mais sentido. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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