Danny Ghitis para The New York Times
Danny Ghitis para The New York Times

Uso de Bitcoin para fins ilegais atinge novo recorde

Seus defensores não se preocupam com a atividade ilegal realizada com o Bitcoin, porque observam uma quantidade muito maior de atividades ilegais com as moedas tradicionais

Nathaniel Popper, The New York Times

10 de fevereiro de 2020 | 06h00

SÃO FRANCISCO - Os últimos meses não foram favoráveis ao Bitcoin. O valor dos tokens digitais despencou. As transações em Bitcoin nas operações em criptomoedas se reduziram. E o uso de Bitcoin para comprar produtos legais? Também caiu. Mas a moeda digital ainda continua forte na venda de drogas ilegais e em outros tipos de operações que infringem a lei.

A quantidade de criptomoedas gastas nos mercados ilegais online, onde as informações de cartões de crédito roubados e uma variedade de drogas ilícitas podem ser adquiridos com o Bitcoin, cresceu 60%, chegando a uma nova alta de US$ 601 milhões nos três últimos meses de 2019, segundo dados divulgados, no dia 28 de janeiro, pela Chainalysis, uma empresa que acompanha o uso do Bitcoin. O sucesso da atividade ilegal alimentada pelo Bitcoin mostra a luta que as autoridades travam para conter os novos tipos de transgressões favorecidas pelas criptomoedas.

O Bitcoin teve um papel fundamental no recente crescimento dos chamados ataques de ransomware, um tipo de malware, em que os hackers roubam os arquivos criptografados dos computadores e se recusam a devolvê-los se não for feito um pagamento em Bitcoin. O Bitcoin é particularmente difundido entre os que se dedicam a especular em moedas, e a atividades ilícita representa apenas 1% de todas as transações em Bitcoin. Mas estas praticamente dobraram em relação ao ano anterior.

Em 2019, o crescimento das vendas no mercado ilegal foi notável porque as autoridades globais desmantelaram dois dos maiores mercados ilegais online. Por outro lado, apareceram novos mercados para ocupar o espaço deixado. As autoridades visam os esquemas de criptomoedas. Contudo, a quantidade de Bitcoin utilizada nas transações fraudulentas registrou uma nova alta. Os fraudadores mais do que triplicaram os ganhos em relação ao ano anterior, arrancando US$ 3,5 bilhões de milhões de suas vítimas em 2019, como mostram os dados da Chainanalysis.

As transações ilegais constituem o elemento central da história do Bitcoin desde que, em 2011, o primeiro mercado ilegal online, a Rota da Seda, ofereceu às pessoas uma razão para usar o Bitcoin. O Bitcoin foi útil para a Rota da Seda porque a estrutura da moeda digital, sem qualquer a interferência da autoridade central, permite que o usuário não registre uma identidade.

Com a valorização do Bitcoin, grandes companhias como a Expedia e a Stripe anunciaram que começariam a trabalhar com a moeda. Mas quando os usuários se deram conta de que a moeda apresentava algumas desvantagens nas compras - por ser mais lento e mais caro do que o dinheiro tradicional - houve pouca captação.

Alguns acreditaram que o token digital poderia tornar-se popular em países como a Venezuela e a Argentina, onde as moedas locais são ainda menos estáveis do que o Bitcoin. Entretanto, nestes países, os juros caíram. Recentemente, o preço de um Bitcoin estava em torno de US$ 9 mil (em comparação à alta de US$ 20 mil em 2017).

Os seus defensores em geral não se preocupam com a atividade ilegal realizada com o Bitcoin, porque observam uma quantidade muito maior de atividades ilegais com as moedas tradicionais. “Talvez seja bom para os crimes menores, mas se você tem um cartel, a história muda’, disse Ryan Selkis, o fundador da empresa de consultoria em criptomoedas Messari. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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