Minh Uong/The New York Times
Minh Uong/The New York Times

Bolsa dos Estados Unidos se agiganta sobre as demais. Mas a que custo?

Mercado de ações poderá subir por algum tempo, mas poderá elevar tensões políticas internas

Jeff Sommer, The New York Times

18 Setembro 2018 | 10h00

Grande parte do mundo se recuperou da crise financeira global de dez anos atrás, mas um mercado prosperou praticamente mais do que todos os outros: o mercado de ações dos Estados Unidos.

O mercado americano ultrapassou o crescimento da economia dos EUA a tal ponto que constitui uma entidade global discrepante. Permanecem, entretanto, questões não resolvidas, como a possibilidade de esta alta, que ajudou a alimentar a desigualdade econômica nos EUA, persistir, e suas consequências internas e globais.

O excepcional desempenho do mercado americano se destaca particularmente em uma pesquisa global dos mercados e das diferentes economias depois da crise, divulgada este mês pela Instituição Brookings e realizada por Eswar Prasad, um pesquisador da instituição.

“Tem havido uma discrepância entre os mercados de ações e as economias mundiais”, afirmou o professor Prasad. “Mas os EUA se destacam”. E acrescentou que não é comum ver tal discrepância por um período tão prolongado.

A pesquisa da Brookings mostra que, embora as duas maiores economias emergentes - da China e da Índia -, tenham apresentado um crescimento maior do que o dos EUA, os mercados de ações destes países não tiveram um desempenho tão bom quanto sua equivalente americana. Os ganhos das ações da Índia foram substanciais em moeda local, a rupia, mas foram quase eliminados quando traduzidos em dólares. O mercado acionário chinês perdeu valor.

Do final de 2007 até o fim de junho deste ano, afirma a pesquisa, o Produto interno Bruto dos EUA cresceu 18%, depois do ajuste para levar em conta a inflação. Sem o ajuste, o PIB dos EUA cresceu mais ainda: 38%. Mas o índice de 500 ações da Standard & Poor’s dobrou de dezembro de 2007 até agosto de 2018. O desempenho superior do mercado acionário americano pode ser explicado pela elevação da parcela dos lucros corporativos na economia interna e pela força extraordinária do poder financeiro americano em escala global.

Embora os Estados Unidos tenham contribuído para a crise financeira global, este foi um fator de estabilidade, e atraiu investimentos do mundo todo. Na época, o dólar se fortaleceu em relação à maioria das outras moedas, tornando-se um elemento ainda mais fundamental do sistema financeiro mundial, afirmou o professor Prasad.

A China é o raro país cuja moeda, o renminbi, na realidade se fortaleceu modestamente em relação ao dólar desde o final de 2007. Mas isto não foi o bastante para contrabalançar o declínio do mercado acionário de Xangai, que caiu 48% em renminbi, e 45% em termos do dólar. Além disso, o mercado chinês ficou bem atrás dos outros mercados, assim como a economia chinesa.

O mercado de ações americano poderá subir por algum tempo. Mas isto poderá elevar as tensões políticas internas. De uma perspectiva global, o mercado de ações americano parece estar atraindo capitais que poderiam fortalecer outros mercados e economias. O mercado americano enriqueceu os investidores em ações. Mas a década de desempenho extraordinário incorreu em custos crescentes.

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