Coleção de Pedro Corrêa do Lago via The New York Times
Coleção de Pedro Corrêa do Lago via The New York Times

Brasileiro exibe coleção de autógrafos em mostra nos EUA

O hobby de infância de Pedro Corrêa do Lago ganhou uma mostra no Morgan Library & Museum, em Manhattan

Jane L. Levere, The New York Times

05 Abril 2018 | 10h15

A paixão de um garoto brasileiro por colecionar autógrafos, iniciada há quase 50 anos, transformou-se em uma das exposições mais incomuns e encantadoras deste ano, "A Magia da Escrita: A Coleção de Pedro Corrêa do Lago", na Morgan Library & Museum, em Manhattan.

Em exibição de 1º de junho a 16 de setembro, “A Magia da Escrita” contará com 140 itens - incluindo cartas escritas à mão, manuscritos e composições musicais, além de fotografias, desenhos e documentos escritos por nomes como Newton e Einstein, os artistas Michelangelo e van Gogh, os autores Emily Dickinson, Jorge Luis Borges e Marcel Proust, os compositores Mozart e Beethoven e os artistas Charles Chaplin e Billie Holiday.

Aos 11 anos, Corrêa do Lago começou a escrever para aqueles que admirava. O escritor inglês J. R. R. Tolkien se recusou a enviar qualquer coisa, mas o cineasta francês François Truffaut lhe enviou um livro autografado sobre seu filme de 1969, “O Garoto Selvagem”.

Como filho de um diplomata brasileiro, Corrêa do Lago, 60 anos, morou em diversos lugares do mundo e se tornou fluente em cinco idiomas. Agora, editor, autor e historiador de arte, ele mora no Rio de Janeiro e em São Paulo.

“Ganho dinheiro para gastar com a minha coleção”, disse Corrêa do Lago, que compra materiais autografados de grandes casas de leilões como Bonham, Christie e Sotheby, assim como por meio de negociantes e vendas privadas. “Trabalhei muito mais do que deveria para conseguir manter e pagar por essa paixão”.

Corrêa do Lago teve alguma dificuldade ao selecionar os itens entre sua coleção de 100 mil autógrafos, que datam de 1140 a 2017, para a exposição.

Há muitos acenos em suas escolhas de autores apresentados na coleção e nas exposições da Morgan, disse, incluindo Antoine de Saint-Exupéry, Mary Wollstonecraft Shelley e Ernest Hemingway, além de itens que agradam multidões, como uma foto dos Beatles de 1965, assinada pelo quarteto.

Entre as peças favoritas de Christine Nelson, que está entre os curadores, na exposição está uma carta de 1871 da poeta Emily Dickinson para a amiga Adelaide Hill, que acabara de ter uma filha chamada Emily. A carta diz: “Ser lembrada é ser amada, e ser amada é o paraíso, e isso é realmente a Terra? Nunca tinha pensado nisso”.

Corrêa do Lago, que se negou a estimar o valor de sua coleção inteira, contou que alguns itens individuais valem seis dígitos.

Ele previu que colecionar autógrafos de pessoas conhecidas atualmente seria cada vez mais difícil.

“Os autógrafos de nossos contemporâneos serão ainda mais raros”, explicou. “Cartas de Steve Jobs são extremamente valiosas porque há pouquíssimas delas - elas são mais valiosas do que as de Lincoln”.

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