Ryan David Brown para The New York Times
Ryan David Brown para The New York Times

Cães não são mais inteligentes do que outros animais, diz estudo

Cachorro é realmente esperto? Não é bem assim, segundo essa pesquisa

Matt Wasielewski, The New York Times

16 Dezembro 2018 | 06h00

É claro, seu cachorro pode buscar a bolinha, rolar no chão e trazer seus chinelos. Pode até ser considerado parte da família. Mas ele não é especial. De acordo com um estudo recente, os cães não são mais inteligentes do que o resto dos animais. “Quase tudo que um cachorro consegue fazer, outros animais também conseguiriam”, disse Stephen Lea, coautor do estudo, ao Times.

Lea e seu colega compararam estudos de cognição de cães com os de lobos, gatos, chimpanzés, golfinhos, cavalos e pombos, entre outros. O que eles descobriram foi que “a cognição dos cães não parece excepcional”. “Longe de mim sugerir que os pombos são mais espertos que os cachorros; eles não são grandes intelectuais. Mas, dependendo da tarefa, confio mais em um pombo que em um cachorro”.

Ele sugere que os cães são treinados para realizar certas tarefas porque os humanos acreditam que eles sejam os mais espertos. Mas esse treinamento tem seus limites, como as forças policiais da América do Norte estão descobrindo. Em todo o Canadá e em alguns estados americanos, os cães farejadores de drogas estão sendo obrigados a se aposentar precocemente, por causa da legalização da maconha.

“Um cão não consegue dizer: ‘Ei, estou sentindo cheiro de maconha’ ou ‘estou sentindo metanfetamina’”, disse Tommy Klein, chefe de polícia de Rifle, Colorado. “Eles têm o mesmo comportamento diante de qualquer droga em que tenham sido treinados”. Um tribunal do Colorado determinou que um cão treinado para farejar uma variedade de drogas não deve ser usado para detectar atividades ilegais durante uma blitz, porque poderá estar alertando a polícia para uma droga que agora está legalizada.

Parte do problema, dizem os especialistas, é que os cães realmente têm dificuldade em aprender novas habilidades, o que deixa mais complicada a tarefa de ensiná-los a deixarem de detectar aqueles aromas que foram treinados a identificar. Mas seu olfato aguçado - seus narizes são de 10 a 100 mil vezes mais sensíveis que os nossos - pode ser usado em outras situações. Os cães são capazes de detectar câncer de bexiga e ovário em amostras de urina e câncer de pulmão em amostras de respiração. Outro estudo mostrou que eles também podem ser capazes de detectar malária, relatou o Times.

A pesquisa revelou que os cães podem distinguir com precisão meias usadas por crianças da Gâmbia infectadas com parasitas da malária. Os pesquisadores não sabem ao certo qual é o cheiro que os cães identificam, mas os parasitas produzem compostos orgânicos semelhantes aos encontrados nos perfumes. Se um único composto químico indicasse a presença de malária, “nós já o teríamos descoberto”, disse Claire Guest, que supervisionou o treinamento dos cães no estudo. “O mais provável é que seja uma combinação de várias notas, e os cães conseguem senti-la”.

Já existem testes rápidos e baratos para diagnosticar a malária. Mas os cães poderiam ser usados para identificar pessoas no meio de grandes multidões em países que eliminaram a doença, mas fazem fronteira com países que ainda não o fizeram. Os cães também poderiam ser empregados para inspecionar aldeias de regiões que estão perto de erradicar a doença, para sinalizar os infectados, relatou o Times.

Mas nem mesmo esses cães - que poderiam salvar uma vida - são tão especiais. Steve W. Lindsay, um dos autores do estudo sobre a malária, disse que seria possível treinar animais locais, como o rato gigante, que já foi usado para detectar minas terrestres e tuberculose. “Mas acho que as pessoas iriam preferir ver cães em vez de ratos correndo nas alfândegas”, disse Lindsay.

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