Cole Burston para The New York Times
Cole Burston para The New York Times

Canadá se prepara para legalizar a maconha

Nova lei entrará em vigor em outubro, dando tempo às empresas para se prepararem para a venda do produto

Dan Bilefsky e Catherine Porter, The New York Times

28 de junho de 2018 | 15h00

MONTREAL - Para uma das maiores companhias canadenses que negociam legalmente a maconha, a votação no Parlamento que legalizou recentemente o seu uso, representa uma grande oportunidade para o desenvolvimento de novos produtos, inclusive bebidas com a adição da erva.

“Nossa esperança”, afirmou Adam Greenblatt, um diretor da companhia, Canopy Growth, “é que dentro de cinco anos as pessoas estejam tomando bebidas com cannabis  nos coquetéis, como se tomassem um bom vinho”.

Matteo Rossant, 21, formado em administração de empresas na Concordia University em Montreal, também prevê uma ampla expansão no futuro, em que ele venderá delícias como xarope de bordo, pirulitos e geleias feitas com Cannabis.

Mas Rémi Letendre, 81, apresentador de rádio aposentado de Quebec, teme que as vendas da maconha legalizada e o seu consumo façam com que cidades como Toronto e Montreal se encham de adolescentes chapados e turistas da maconha provenientes dos Estados Unidos tropeçando pelas calçadas.

Por todo o Canadá, no dia 20 de junho, as pessoas estavam lutando com a questão da legalização da maconha para fins de recreação, que representa uma das mudanças mais significativas na cultura canadense das últimas décadas.

O governo liberal do primeiro-ministro Justin Trudeau afirmara que a legalização era necessária para eliminar a indústria da maconha ilegal que movimenta, ao que se calcula, US$ 7 bilhões ao ano, e protegeria os jovens dos riscos das drogas ilegais. A lei entrará em vigor no dia 17 de outubro, anunciou Trudeau, a fim de dar tempo ao comércio para se preparar para a mudança.

A Companhia Cannabis de Quebec, o novo monopólio provincial de maconha, estudou como vender a cannabis, considerando as restrições que, por exemplo, proíbem que ela seja glamourizada pelo marketing ou vendida em vitrines no balcão de lojas.

Mathieu Gaudreault, porta-voz da companhia, opinou que os consumidores deveriam pelo menos sentir o cheiro da maconha, que será vendida em sachês fechados, “como se estivessem cheirando perfume”.

Embora o Canadá tenha legalizado a maconha para fins medicinais em 2001, centenas de dispensários proliferaram no mercado negro.

O Trees Station, um dispensário ilegal da erva no boêmio Kensington Market de Toronto, foi aberto há dois anos, e vende mais de 30 tipos diferentes de maconha. O negócio vai tão bem, que os proprietários têm planos para abrir mais dois locais. “Vamos continuar fazendo o que fazemos agora”, disse Nathan Murdoch, o gerente.

Como a legalização é uma perspectiva de negócios, Rossant está inaugurando uma revista de estilo de vida da maconha chamada “Maples”. Ele pretende também produzir uma variedade de produtos derivados do bordo, com infusão de cannabis.

“Para um jovem empreendedor como eu, parece mais fácil entrar no setor da erva do que no de tecnologia”, ele disse. “Além disso, nós da geração do milênio temos know-how no mercado da maconha - todos nós já fumamos”.

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