Amy Lombard / The New York Times
Amy Lombard / The New York Times

Reformulando a indústria lucrativa dos casamentos

Empresas tentam adaptar-se a casais modernos, para quem a tradição pode ser um aborrecimento e não um possível mercado

Caroline Arbour, The New York Times

09 de novembro de 2019 | 06h00

Em primeiro lugar vem o amor, depois o matrimônio (ou pelo menos é o costume). Mas antes do casamento vêm os preparativos das bodas, e isto representa uma indústria lucrativa. As empresas tentam adaptar-se aos casais modernos, para quem a tradição pode ser um aborrecimento e não um ponto de venda.

Os sites e os aplicativos levaram todo o processo para o século 21, enquanto o mercado online, voltado fundamentalmente para os casais e as mulheres héteros, está repleto de indicações sexistas retrógradas, destacou a escritora Suzannah Weiss.

“Para atender o público feminino no planejamento das bodas e na compra de itens para a primeira casa dos noivos foram criados aplicativos”, disse Lauren Grech, que tem uma empresa de gestão de eventos em Nova York.

Algumas companhias procuram tornar-se mais abertas. Em vez de fazer registros de busca  pelo “nome da noiva” e pelo “nome do noivo”, agora simplesmente perguntam o nome e o sobrenome, e deixamos usuários selecionarem o itens que dizem “Sr. e Sr.” ou “Sra. e Sra”.

Mas, com o avanço da tecnologia, o planejamento dos casamentos mudou para melhor e para pior. Os feeds das redes sociais levaram algumas noivas a criar um "momento postável", que também pode ter um custo. “Em lugar de estarem plenamente presentes no momento e intensamente emocionados com seu cônjuge, a sua preocupação é publicar a foto perfeita no Instagram”, explicou Nomi Pratt, fotógrafa de casamentos de Greenville, na Carolina do Sul. 

Alguns casais de noivos encontraram uma solução: manter os convidados do casamento fora das redes sociais e dos seus telefones, substituindo a hora do coquetel por jogos.

No seu casamento, em 2014, Meredith e Andrew Shackleford, coproprietários do blog de planejamento de casamentos Love & Lavender, optaram por uma série de jogos que incluíam croquet e degustação de vinhos de olhos vendados. “Nós quisemos criar alguma coisa em que as pessoas pudessem realmente envolver-se e interagir umas com as outras”, justificou Meredith.

Jogos em casamentos

Ultimamente, surgiram por toda parte empresas de realização de eventos a fim de atender a esta crescente demanda de jogos em casamentos. Na empresa Upstate Jamboree, de aluguel de jogos de casamento em Nova York, de Bea Rue e Tyler Alan Mason, os casais podem alugar jogos especiais do próprio Mason, que é carpinteiro. “Nós temos um jogo de labirinto que data do século 17, criado na Suiça”, afirmou Bea.

Em Las Vegas, uma indústria de nicho que organiza casamentos, que prosperou durante dezenas de anos permitindo que as pessoas ignorassem os aborrecimentos do grande dia, decidiu ir à luta. Para casar, os noivos precisam apenas de US$ 77 e de uma identidade com foto – contratar um oficiante para sacramentar o casório em trajes completos de Elvis é opcional.

Mas o negócio não é mais como costumava ser. Em 2018, foram realizados apenas 74.534 casamentos em Condado de Clark, Nevada, em comparação com o recorde de 128.238, em 2004. E a receita do turismo gerada pelos casamentos caiu pelo menos um bilhão de dólares em relação ao ápice registrado pelo setor. 

Daniel Vallance, diretor de operações da Little Church of the West em Las Vegas, que enfrentou a crise acrescentando tecnologia como streaming, disse que dar aos clientes o que eles desejam é o “futuro deste negócio”. E o que é que eles querem? “Eles não querem gastar 50 mangos para se casar em uma cerimônia oficiada por um Elvis gordo e bêbado”, explicou Vallance. “Eles querem algo mais elegante”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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