Ali Asaei/The New York Times
Ali Asaei/The New York Times

Centro de pesquisa tenta definir a geração seguinte a do milênio

Pesquisador acredita, entretanto, que o rótulo geracional não deveria existir, porque não leva em consideração fatores individuais

Matt Wasielewski, The New York Times

18 Março 2018 | 10h00

Nestes dias, vem se desenrolando um debate geracional, mas a geração dos ‘baby boomers’ e a Geração X’ não estão necessariamente incluídos nele. Este debate diz respeito apenas aos que nasceram depois de 1980.

Este mês, o Pew Research Center definiu a Geração Y, a geração do milênio, como as pessoas nascidas entre 1981 e 1996. A Pew, uma organização americana de políticas públicas, tomou como ponto inicial  os anos do nascimento e os eventos políticos e culturais que definiram o começo da vida de uma pessoa para estabelecer a sua extensão.

As pessoas nascidas depois de 1996 talvez saibam que a AOL (America Online) a certa altura avisava os seus usuários: “ Você recebeu correspondência”, ou que a internet estava à sua disposição na linha do celular, mas provavelmente não lembram a voz do locutor da AOL ou os ruídos dos modems de discagem.

Os ‘baby boomers’, nascidos entre 1946 e 1964, cresceram na sombra da Segunda Guerra Mundial. A Geração X está escorada por um lado nos boomers e por outro na Geração Y e sofre como “o filho do meio”, de acordo com a Pew. Segundo esta, os americanos da Geração Y lembram dos ataques terroristas de 11 de setembro, das guerras no Iraque e no Afeganistão, da última recessão e das eleições de 2008.

“Muitos da geração do milênio atingiram a maioridade e ingressaram na força de trabalho no ápice da recessão econômica, mas muitos jovens adultos hoje ingressam na força de trabalho em uma era de crescimento econômico e baixo desemprego”,  disse a “The Times”, Ruth Igielnik, associada em pesquisa da Pew. Consequentemente, a geração mais jovem, hoje, talvez não enfrente em sua vida profissional e pessoal as mesmas agruras da geração do milênio, como encontrar um emprego que pague bem e que lhe permita casar ou comprar uma casa.

Mas, o que são as pessoas nascidas depois de 1996? Ninguém ainda as definiu. Alguns comentaristas começaram a usar a expressão “Geração Z”, mas a Pew aparentemente não se deixou impressionar pelo termo. Ela anunciou que serão chamadas, pelo menos por enquanto, “geração pós-milênio”.

Em janeiro, em um esforço de democratização demográfica, “The Times” pediu aos seus jovens leitores que se definissem. A resposta, assim como a democracia, foi meio bagunçada.

“Eu não me importaria de ser chamada de Geração Bode Expiatório”, escreveu Alexandra Della Santina, uma engenheira da Boeing de 22 anos, na resposta mais popular. “Quando os ‘baby boomers’ e a Geração X ou Y, seja o que for, decidirem começar a nos usar como sacos de pancadas em vez da geração do milênio, será muito mais difícil lamentar a nosso respeito se forem obrigados a nos chamar de ‘Os bodes Expiatórios’”.

Outras sugestões abrangem toda a gama dos estados de espírito - iGeração, Geração Esperançosa, Geração Ansiosa e Geração Fix-It(que veio para consertar).

Alguns odiaram totalmente este exercício. “Não nos chamem de nada. A ideia de gerações coesas é absurda”, escreveu a “The Times” Kiernan Mejerus-Collins, 22, presidente do Partido Democrático de Lewiston, Maine. (Continuar sem um nome foi a segunda opinião que mais agradou.)

John Quiggin, pesquisador sênior em Economia da Universidade de Queensland, na Austrália, apresentou uma solução semelhante: acabem de vez com as gerações.

Quiggin escreveu no “The Times” que o “ ‘jogo das gerações - a insistência em dividir a sociedade em grupos com base no ano do nascimento e de imputar características a cada grupo” - tem sido “mais prejudicial do que benéfica porque não deixa claros os fatores individuais que na realidade moldam as nossas atitudes, inclusive políticas, e as oportunidades”.

Existem discrepâncias tão grandes entre as experiências dos indivíduos no interior de uma geração, assim como as diferenças de classe, raça, gênero e economia, que este exercício cria um falso sentido de unidade.

O jogo das gerações é apenas um reflexo de um aspecto ilógico da natureza humana. A geração do milênio, escreveu Quiggin, foi “ridicularizada como uma geração preguiçosa e narcisista ou defendida como criativa e empenhada nas mudanças sociais. Mas estas se parecem com as características que os mais velhos atribuíram aos jovens desde os primórdios dos tempos”.

 

Mais conteúdo sobre:
RótuloIdade Adulta

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.