PNAS via The New York Times
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Cérebros pré-históricos: pequenos, mas potentes

Indícios de comportamento complexo num parente do homem, o Homo naledi

Nicholas St. Fleur, The New York Times

09 Junho 2018 | 10h45

O que torna os humanos tão inteligentes? Será o tamanho do cérebro? Novas pesquisas realizadas com a diminuta cabeça de um parente do homem chamado Homo naledi indicam que, em se tratando da complexidade do cérebro, o tamanho não é tudo que importa.

Em 2013, cientistas escavando uma caverna na África do Sul encontraram vestígios do Homo naledi, um hominídeo extinto que teria vivido de 236.000 a 335.000 anos atrás. Com base em vestígios do crânio, os pesquisadores concluíram que a espécie tinha um cérebro do tamanho de uma laranja. Mas as marcas deixadas pelo cérebro indicam que, apesar do tamanho, o cérebro do Homo naledi compartilhava um formato e estrutura semelhantes ao do cérebro humano, três vezes maior.

“Vimos agora que é possível embalar a complexidade de um cérebro grande num formato menor", disse Lee Berger, paleo-antropólogo da Universidade de Witwatersrand, África do Sul, e um dos autores do estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences. “Quase de uma só vez, derrubamos o mito de que a complexidade no cérebro dos hominídeos estaria diretamente ligada ao aumento do tamanho do cérebro.”

Nem todos os cientistas concordam.

Desde a descoberta dos primeiros vestígios do Homo naledi, os cientistas têm se mostrado surpresos. Dos pés à cabeça, o antigo hominídeo apresenta uma mistura de características primitivas, dos símios, e também traços mais avançados, semelhantes aos humanos.

“Este mosaico é diferente de qualquer coisa que tenhamos visto ou imaginado", disse o Dr. Berger, que descobriu o Homo naledi na sala Dinaledi, no sistema de cavernas Rising Star, África do Sul. Até o momento, os cientistas encontraram mais de 2 mil fósseis pertencentes aos antepassados dos humanos.

Depois de examinar os vestígios, a partir de moldes internos de cinco fragmentos de crânios de Homo naledi, a equipe descobriu que a espécie tinha um lobo frontal bastante semelhante ao dos humanos modernos e diferente do encontrado num macaco. Os cientistas também descobriram que o Homo naledi tinha um cérebro assimétrico, com o hemisfério esquerdo aparentemente mais frontal que o direito, algo que também se observa nos humanos. A assimetria no cérebro é ligada a níveis mais elevados de complexidade comportamental, disse a equipe.

Com base nas regiões do cérebro compartilhadas entre o Homo naledi e os humanos modernos, os autores sugeriram que a espécie teria um comportamento relativamente complexo.

A descoberta não significa que o tamanho do cérebro não seja importante na criação de um cérebro complexo. Em vez disso, o tamanho sozinho não é o único fator. “Há algo a respeito do formato que também é importante", disse John Hawks, paleo-antropólogo da Universidade de Wisconsin, em Madison, e um dos autores do estudo.

Simon Neubauer, antropólogo físico do Instituto Max Planck para a Antropologia Evolutiva, na Alemanha, disse que a descoberta reforça a ideia segundo a qual o tamanho e organização do cérebro são ambos importantes para a evolução humana. Mas ele acrescentou que o Homo naledi pode ser um ponto fora da curva na tendência geral de aumento do cérebro observada nos hominídeos.

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