Khaled Desouki/AFP
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Atacante mexicano, Chicharito sofre críticas por escolher jogar nos EUA

Maior artilheiro do México e com carreira vitoriosa na Europa, Javier Hernández voltou à América do Norte, mas não para o país de origem

Raúl Vilchis, The New York Times

12 de março de 2020 | 06h00

O anúncio mais explosivo da temporada da Major League Soccer, liga de futebol dos Estados Unidos, veio em um momento íntimo compartilhado no YouTube. Chorando, Javier "Chicharito" Hernández, o maior artilheiro da seleção do México, telefonou aos pais em Guadalajara e contou que assinara um contrato com o Los Angeles Galaxy.

“Estou deixando o sonho europeu”, disse Javier, de 31 anos, falando do Sevilla, da Espanha, onde jogara por quatro meses decepcionantes. “É isto que me faz chorar: nNão é tanto o fato de não ter conseguido o que eu queria. É mais um adeus”, acrescentou, abraçando o filho e abraçando a esposa. “Agora que o acordo com Los Angeles foi fechado, tudo está perfeito”, ele disse. “É o começo da minha aposentadoria”.

Na coletiva à imprensa em que oficializou a sua decisão, Chicharito não menosprezou o seu sucesso na Europa, a começar pelo Manchester United, onde ganhou dois títulos do Campeonato Inglês, depois um período no Real Madrid. Ele jogou ainda no Bayer Leverkusen, na Alemanha, depois no West Ham, da Inglaterra, antes de chegar ao Sevilla.

“Imagine voltar como uma lenda do futebol mexicano”, ele disse, falando do seu regresso para a América do Norte. O fato de vangloriar-se atingiu um ponto fraco no México, onde jogadores como Javier são reverenciados por seus sucessos, mas criticados pela menor fraqueza. Alguns consideraram os seus comentários – e sua decisão de entrar na MLS, que muitos ridicularizam como um degrau abaixo do Campeonato Mexicano – como um insulto. Para os detratores, Chicharito era menos um herói nacional e mais um traidor.

“Você assiste aos jogos quando os times mexicanos jogam contra as equipes da MLS, e percebe que elas são fracas, não têm técnica nenhuma, parecem crianças correndo atrás da bola”, comentou Eduardo Estrada, um ambulante da Cidade do México. Mas Hugo Sánchez, considerado o melhor jogador mexicano de todos os tempos, defendeu Chicharito. “Javier jogou nos melhores clubes da Europa e pode fazer e dizer o que ele quer”.

Javier fez gols tropeçando, empurrando a bola com o rosto, e com as costas. O seu estilo pode não ser convencional, mas é eficiente. Segundo o romancista Antonio Ortuño, os esforços para diminuí-lo são apenas um exemplo da natureza inconstante da opinião pública mexicana. “Nós não gostamos muito do sucesso, e com Chicharito pode-se ver isto claramente”, afirmou. “Ele  foi o jogador mais consistente dos últimos dez anos – jogou nos melhores times europeus – e mesmo assim, não é amado”.

Ortuño contou que quando Sánchez  ofuscava o mundo nos anos 1980, era menosprezado no México. Sánchez disse que nunca deixou que estas opiniões o afetassem. “Quando eu estava na Europa, todos os comentários eram provocados pelo ciúme e ela inveja, o que é  muito humano, mas eu não me importava. Ao contrário, era uma motivação”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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