Isaac Lawrence para The New York Times
Isaac Lawrence para The New York Times

China aumenta a pressão sobre Taiwan

Governo chinês tem usado sua influência sobre países e empresas para boicotar a ilha

Steven Lee Myers e Chris Horton, The New York Times

08 Junho 2018 | 10h00

TAIPEI, TAIWAN - Será que a China pode usar seu imenso poder de influência econômica e diplomática para apagar a identidade nacional de Taiwan? Parece que é isso que os chineses tentam fazer.

Mas sua postura cada vez mais agressiva em relação a Taiwan está criando uma reação que enfraquece o objetivo final de Pequim: ter os 23 milhões de residentes da ilha sob sua autoridade.

A China continua a se afastar de aliados que reconheçam Taiwan como país independente - o mais recente foi Burkina Faso. No mês passado, o país impediu a participação de representantes taiwaneses, com status de observadores, na assembleia anual da Organização Mundial da Saúde em Genebra.

Embora a China tente há muito tempo isolar Taiwan, os habitantes daqui dizem que seus últimos esforços foram os mais intensos em décadas. As jogadas da China coincidiram com exercícios militares que, de acordo com as autoridades, teriam como alvo explícito Taiwan e a presidente do país desde 2016, Tsai Ing-wen, cujo Partido Progressista Democrático tem tradição de apoiar a independência.

A China alertou recentemente 36 empresas aéreas orientando-as a referir-se a Taiwan como parte da China, embora a ilha seja uma democracia autônoma que nunca esteve sob o controle do governo comunista de Pequim. Muitas das empresas concordaram.

Empresas de outros setores também cederam. Em maio, a grife de roupas Gap pediu desculpas por uma estampa de camiseta que mostrava a China sem incluir Taiwan, depois que fotos da estampa circularam nas redes sociais chinesas.

A pressão sobre Taiwan pode ser o resultado da tentativa de diferentes setores do governo no sentido de demonstrar apoio à oratória cada vez mais nacionalista do presidente Xi Jinping. Num potente discurso feito em março, Xi alertou contra os esforços de dividir a “grande pátria-mãe“, que do ponto de vista chinês, inclui Taiwan.

“O objetivo da China em relação a Taiwan jamais mudou", disse Lee Teng-hui, que em 1996 se tornou o primeiro presidente eleito democraticamente em Taiwan. “Esse objetivo é engolir a independência taiwanesa, exterminar a democracia taiwanesa e alcançar a unificação definitiva.”

O governo da presidente Tsai tentou resistir à campanha da China. Mas representantes do país reconhecem que a influência da China intimidou aqueles que temem perder acesso ao maior mercado consumidor do mundo.

Enquanto 22.ª maior economia mundial, Taiwan tem seu próprio poder de influência. O governo da presidente Tsai avança para reforçar os laços com países amistosos, incluindo Estados Unidos, União Europeia e Japão. Mas, depois que Burkina Faso rompeu relações oficiais, semanas depois de a República Dominicana ter feito o mesmo, apenas 17 países e o Vaticano mantêm relações oficiais com Taiwan.

“As ações atrozes por parte da China têm o objetivo de enfraquecer nossa soberania e testar nossa determinação", disse Tsai, de acordo com a Agência de Notícias Central, de propriedade estatal. “Isso não será mais tolerado. Tal comportamento serve apenas para reforçar nossa determinação de fazer parte do mundo mais amplo.”

 

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