NASA, via Associated Press
NASA, via Associated Press

Nasa dá passo importante para a equidade de gêneros com caminhada espacial de mulheres

Christina Koch e Jessica Meir fizeram história ao se aventurarem fora da Estação Espacial Internacional

Jessica Bennett e Mary Robinette Kowal, The New York Times

01 de novembro de 2019 | 06h00

Aconteceu por acidente. Depois que o lançamento de um foguete foi abortado no meio do voo, deixar no solo dois astronautas que iriam para a Estação Espacial Internacional, significou para a NASA a necessidade de uma mudança do seu programa. A agência informou que, em seu lugar, duas mulheres astronautas fariam a caminhada no espaço. Mas a caminhada acabou não acontecendo, porque a NASA não dispunha de trajes espaciais adequados para duas astronautas. (Ambas precisavam de um tamanho médio.) “Façam outra roupa”, tuitou Hillary Clinton.

A NASA obedeceu, e Christina Koch e Jessica Meir fizeram história, no dia 18 de outubro, ao se aventurarem fora da Estação Espacial Internacional para uma missão de sete horas de duração. Foi a primeira caminhada espacial unicamente de mulheres. Jessica Bennett, a editora de gênero de The Times, e Mary Robinette Kowal, autora da série “A astronauta”, discutiram a importância  da caminhada.

Jessica Bennett: Agora Christina Koch permanecerá em órbita por alguns meses, para que os pesquisadores possam observar os efeitos de um voo espacial prolongado no organismo de uma mulher.

É impressionante pensar que nós não conhecemos suficientemente os efeitos de um voo espacial no organismo feminino.

Mary Robinette Kowal: Em mais de 560 pessoas que estiveram no espaço no mundo todo, apenas 65 eram mulheres. Há algumas coisas que nós aprendemos em terra, como o fato de que homens e mulheres apresentam diferentes padrões de transpiração. Os homens transpiram mais em comparação com as mulheres nas mesmas condições de preparo físico, e as áreas em que elas suam mais estão em partes do corpo diferentes. Em uma caminhada espacial, os astronautas  precisam vestir uma indumentária que esfrie e ventile de maneira a manter a sua temperatura corporal a um nível seguro, mas o traje se destinava a corpos masculinos.

JB: Pelo que eu soube, há um relatório dos anos 60 que suscitou preocupações a respeito do envio de “um ser humano psicologicamente temperamental” (leia-se: uma mulher e os seus hormônios) em uma “máquina complicada” (a espaçonave).

MRK: O mais irônico é que partes deste estudo na ciência real demonstraram que, em muitos aspectos, as mulheres são mais aptas para as viagens espaciais do que os homens. Elas são em média menores e mais leves e consomem menos recursos.

JB: As mulheres astronautas também controlam melhor o estresse, está certo?

MRK: Sim.

MRK: Os trajes de que estamos falando foram criados no final dos anos 70, com base na tecnologia da série Apollo. Os tamanhos variavam de extrapequeno a extragrande. Os extrapequenos nunca foram feitos. Os tamanhos pequeno e extragrande foram cortados pela redução da verba. Os homens se queixavam de que  não conseguiam adaptar-se, por isso a NASA recorreu novamente aos extragrandes. Os tamanhos pequenos nunca voltaram.

JB: Por um acaso a NASA precisaria contratar uma estilista para os trajes espaciais para mulheres?

MRK: E contratou. As principais engenheiras de trajes espaciais Artemis da NASA, que levaremos para a Lua, são Amy Ross e Kristine Davis. É um lindo trabalho de engenharia. A NASA está trabalhando para introduzir no programa a equidade de gêneros. Atualmente, a agência tem 38 astronautas em atividade e 12 deles são mulheres. Mas trata-se de uma estação internacional. Os outros países só têm três mulheres astronautas em atividade.

JB: Portanto, em outras palavras,  ainda não podemos dizer que este é um "salto gigante" para as mulheres. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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