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Jorge Silva/Arquivo Reuters
Jorge Silva/Arquivo Reuters

Tubarões já quase foram extintos como os dinossauros

Análise de fósseis mostra uma misteriosa extinção em massa que dizimou a diversidade de tubarões nos oceanos há 19 milhões de anos

Katherine Kornei, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

13 de julho de 2021 | 05h00

As extinções que destruíram uma grande variedade de espécies reformularam a história da Terra. Normalmente desencadeados por uma significativa mudança ambiental, como o impacto de um asteroide ou uma mudança drástica do clima, os estudos desses eventos dão aos cientistas uma visão próxima de como a vida se recupera após um cataclisma. Os pesquisadores acreditam que agora conseguiram precisar uma recuperação em escala planetária, antes desconhecida, que se verificou há cerca de 19 milhões de anos.

Uma extinção maciça ocorreu também nos oceanos do mundo e dizimou as populações de tubarões. Alguns tipos de peixes ainda não se recuperaram dos danos, sugerem os estudiosos num artigo publicado na revista Science.

Escamas cobrem o corpo, e mesmo o globo ocular, dos tubarões. Conhecidas como dentículos dérmicos, as escamas atuam como uma armadura de proteção e sua crista também reduz seu deslocamento quando eles nadam, disse Elizabeth C. Sibert, oceanógrafa e paleontóloga da Universidade de Yale. As escamas são microscópicas – da largura de um fio de cabelo humano – mas os tubarões desprendem cerca de 100 dentículos para cada dente que perdem, o que faz com que sejam comuns nos registros de fósseis.

Esse acervo é valioso para os cientistas que procuram entender o passado, disse Paul Harnik, paleobiólogo na Universidade Colgate, que não participou do estudo.

Em 2015, Sibert recebeu uma caixa de lama abarcando 40 milhões de anos de história. A lama vermelha, vinda de dois núcleos de sedimentos que foram extraídos do leito do Oceano Pacífico, continham dentes de peixes, dentículos de tubarões e outros microfósseis marinhos. Usando um microscópio e um fino pincel, ela separou os sedimentos e contou o número de fósseis nas amostras separadas no tempo por algumas centenas de milhares de anos.

Quando estava no meio da análise do seu conjunto de dados, Sibert observou uma mudança abrupta no registro de fósseis. Há 19 milhões de anos, a proporção de dentículos de tubarões em comparação com os dentes de peixes mudava drasticamente. Amostras mais antigas no geral tinham aproximadamente um dentículo para cada cinco dentes de peixes (uma proporção de cerca de 20%), mas em amostras mais recentes a proporção era mais próxima de 1%. O que significava que os tubarões repentinamente se tornaram muito menos comuns em comparação com os peixes, durante uma era conhecida como Mioceno Inferior.

Silbert e seus colaboradores, num estudo anterior, usando o mesmo conjunto de dados, também descobriram que os tubarões diminuíram em cerca de 90% há 19 milhões de anos.

“Havia muitos e depois quase nenhum. Basicamente, os tubarões desapareceram quase totalmente”, disse ela. Mas ainda havia a dúvida quanto a se havia ocorrido uma real extinção, afirmou a pesquisadora. “Queríamos saber se os tubarões foram extintos ou se apenas o seu número diminuiu”.

Para testar a ideia de uma possível extinção, ela recrutou Leah D. Rubin, cientista marinha do College of the Atlantic. Juntas, desenvolveram uma estrutura para identificar grupos distintos de dentículos.

As pesquisadoras se concentraram nas características de 19 dentículos, como a sua forma e a orientação das suas cristas. E separaram cerca de 1.300 dentículos em 88 grupos. Esses grupos não correspondem exatamente às espécies de tubarões, mas examinar mais grupos é um indicador de que uma população de tubarões é mais diversa, propuseram as pesquisadoras.

Dos 88 grupos presentes antes de 19 milhões de anos atrás, apenas nove sobreviveram depois. Essa redução da diversidade de tubarões sugere que eles sofreram uma extinção nessa época, foi a conclusão das estudiosas. Na verdade, esse evento provavelmente foi ainda mais desastroso para os tubarões do que o impacto do asteroide que exterminou os dinossauros, há 66 milhões anos, afirmaram.

“Apenas uma pequena fração sobreviveu”, disse Sibert.

Os efeitos dessa extinção provavelmente se fizeram sentir no mundo todo. Os resultados consistentes dos dois núcleos de sedimentos – separados por milhares de quilômetros, sugerem que o que ocorreu foi realmente um “evento global”, segundo dois paleontólogos, Catalina Pimiento da universidade de Zurique, e Nicholas D. Pyenson, da Smithsonian Institution, e não há evidências de mudanças climáticas importantes na era micênica, relatando suas conclusões que acompanharam o artigo publicado na revista Science.

Até agora, a causa dessa extinção segue desconhecida. Não ocorreram mudanças climáticas significativas no início da era Mioceno e tampouco evidências de um impacto de algum asteroide nessa época. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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