Kayana Szymczak para The New York Times
Kayana Szymczak para The New York Times

Cientista que defende ideias provocadoras prevê futuro brilhante para população mundial

Steven Pinker, psicólogo cognitivo, acredita que a vida na Terra está melhor

Karen Weintraub, The New York Times

26 de novembro de 2018 | 06h00

Steven Pinker, psicólogo cognitivo da Universidade Harvard, é conhecido por suas posições provocadoras. Entre outras coisas, ele afirma que as mulheres são intrinsecamente diferentes dos homens, e que a sociedade está se tornando menos violenta ao longo do tempo - apesar dos massacres e de outras atrocidades. Em seu livro mais recente, “Enlightenment Now”, diz ainda que a vida em geral é bem melhor: de acordo com todos os parâmetros de bem-estar, da segurança pessoal à longevidade e à felicidade, segundo ele, as pessoas estão muito melhor hoje do que antes do Iluminismo, no século 17. A seguir, resumo de uma conversa com o especialista.

- O que lhe deu a ideia de que o mundo está melhor?

-  Eu me deparei com dados que mostram que a violência declinou no decorrer da história. No século 14, a taxa de homicídios na Inglaterra era 50 vezes maior do que nos dias de hoje.

- Isto o surpreendeu?

- Como qualquer outro leitor do noticiário, eu supunha que a violência não havia mudado. É somente quando analisamos a situação ao longo do tempo, levando em conta as pessoas que não são assassinadas ou estupradas, que percebemos as tendências.

-  E estas tendências se estendem a outros aspectos da vida?

-  Por exemplo, a porcentagem de pessoas no mundo que tem acesso à educação, à paridade do gênero na educação - as meninas estão indo à escola em todo o globo. No Afeganistão e no Paquistão, os países mais retrógrados do mundo, o número de mulheres que podem estudar aumentou. O progresso é um fato que é possível demonstrar. Não se trata de otimismo.

- O que há por trás desta boa notícia?

-  A explicação mais importante é que o Iluminismo funcionou. É a ideia de que se nos propusermos o objetivo de melhorar o bem-estar, se tentarmos imaginar como funciona o mundo usando a razão e a ciência, de vez em quando poderemos conseguir.

- O senhor afirmou que existe algo chamado natureza humana. O senhor acha que podemos transcendê-la?

- Parte da natureza humana nos permite controlar a outra parte da nossa natureza humana. Embora o ser humano tenda a ser irracional, não significa que somos incapazes de razão - de outro modo, nunca poderíamos afirmar que estamos sendo irracionais. Mesmo que o homem tenda a descambar para a irracionalidade, isto não significa que devamos nos permitir isto na hora de deliberar como governar uma sociedade.

- O senhor acha que a ciência exerceu algum papel nos desenvolvimentos positivos?

- Sim. Aí estão os avanços em matéria de longevidade e saúde - a expectativa de vida na Terra cresceu de cerca de 30 anos para 70, e nos países ricos para mais de 80. Saúde e prosperidade, e alimentação - e a fome é muito mais rara do que costumava ser. Em geral, considero a ciência parte do Iluminismo.

- O senhor acredita que a ciência possa continuar solucionando os problemas da humanidade?

- Se você consegue dobrar a curva com os avanços na ciência, e as pessoas podem fazer o que custa menos, é mais conveniente, e isto poupa a saúde do planeta - este será nosso caminho mais viável para evitar a catástrofe. Acredito que a ciência e a tecnologia se tornarão essenciais para enfrentar estes desafios.

-  É importante que algumas coisas estejam melhorando enquanto outras estão piorando?

- Diria que avaliar o progresso nos dá a coragem e a convicção de tentar lutar por um progresso maior. A história nos diz que as tentativas de tornar o mundo melhor costumam ser bem-sucedidas. Nós nunca atingiremos uma utopia, mas isto não significa que não possamos tornar as coisas um pouco melhores.

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