Vincent Laforet para The New York Times
Vincent Laforet para The New York Times

Cientistas detectam emissão de gás prejudicial à camada de ozônio apesar de proibição

Evidências indicam nova produção de gás poluente na Ásia

Henry Fountain, The New York Times

28 Maio 2018 | 10h15

Cientistas do governo detectaram um aumento nas emissões de um gás industrial proibido que destrói o ozônio, potencialmente retardando o avanço da restauração da camada de ozônio que protege a atmosfera.

Os cientistas dizem que o aumento é provavelmente decorrência de uma nova e não documentada produção do gás, conhecido como CFC-11, provavelmente no Leste Asiático. A produção global de CFC-11, usado como refrigerador e nas espumas de isolamento, foi proibida em 2010 por um novo pacto ambiental, o Protocolo de Montreal.

Este protocolo foi adotado no final dos anos 1980 em resposta a estudos mostrando que o CFC-11 e gases similares, conhecidos coletivamente como clorofluorocarbonetos, diminuíam o ozônio atmosférico. Uma camada de ozônio na estratosfera ajuda a filtrar a radiação ultravioleta do Sol, que pode provocar câncer de pele.

O Protocolo de Montreal, frequentemente elogiado como o mais bem sucedido acordo ambiental já assinado, levou a uma queda nos clorofluorocarbonetos e a um aumento no ozônio estratosférico. A recuperação completa da camada de ozônio estava prevista para meados do século.

Mas, se as emissões de CFC-11 continuarem, a recuperação pode sofrer até uma década de atraso, disse Stephen A. Montzka, principal autor de uma reportagem detalhando as descobertas publicada na revista Nature.

“Estamos soando o alerta para dizer que não é isso que esperávamos para o futuro da camada de ozônio", disse o Dr. Montzka, químico pesquisador do Laboratório de Pesquisas Earth System, em Boulder, Colorado, parte da agência americana National Oceanic and Atmospheric Administration.

David Doniger, diretor do programa para o clima e a energia limpa do Conselho de Defesa de Recursos Naturais, grupo ambientalista de Washington, disse que as novas emissões eram “ruins para a camada de ozônio e ruins para a mudança climática".

“É preocupante saber que alguém está trapaceando", disse. Mas ele destacou que o Protocolo de Montreal, assinado por quase 200 países, tem um histórico sólido de conformidade, com os próprios países denunciando suas infrações em muitos casos. “Há uma possibilidade considerável de descobrirmos o que está acontecendo", disse ele.

Keith Weller, porta-voz do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que ajuda na implementação do protocolo, disse que os resultados seriam revistos.

Embora o CFC-11 e gases semelhantes sejam proibidos há anos, eles ainda vazam para a atmosfera em pequenas quantidades, geralmente quando são destruídos edifícios e equipamentos contendo espuma isolante. O CFC-11 tem uma vida útil de aproximadamente 50 anos, de modo que o limite às emissões e a decomposição natural do gás deveriam resultar numa redução cada vez mais rápida de sua concentração na atmosfera.

Mas, a partir de 2013, a análise de amostras de ar de uma dúzia de estações de monitoramento espalhadas pelo mundo mostrou que, embora a concentração de CFC-11 continue em queda, isto ocorria a um ritmo mais lento. De acordo com o Dr. Montzka isso indica que há novas fontes do gás. Também em 2013, amostras coletadas no Havaí mostraram um aumento súbito no CFC-11, indicando que o gás seria produzido no Leste Asiático, trazido pelos ventos até o outro lado do Oceano Pacífico.

“É importante deixar claro que a concentração de CFC-11 continua em queda", disse o Dr. Montzka. Se as novas emissões forem localizadas logo e impedidas, “o impacto no cronograma de recuperação do ozônio não será muito grande”, disse ele.

“Espero que, uma vez feito o alerta, a conscientização leve a esforços mais significativos para identificar a ponte", disse ele.

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