Yazmin Butcher
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Clínicas oferecem brindes para incentivar exames de mamografia

Nos Estados Unidos, apenas 65% das mulheres a partir dos 40 anos fizeram mamografia nos dois últimos anos

Stephanie Clifford, The New York Times

19 de junho de 2019 | 06h00

Quando Shawna Peters, encarregada das contratações na área de segurança cibernética de Minnesota, ouviu falar de uma noite especial que incluía massagens na cadeira e sacolas de brindes como balas de hortelã, brilho labial e acessórios para pedicure, ela se matriculou na hora. Mesmo que, para ganhar estes mimos, precisasse fazer uma mamografia.

A mamografia causa dor – a não ser que a mulher goste que o seu peito seja esmagado entre duas placas – e por isso Shawna, 44, costuma adiar este tipo de exame. “É como ir ao dentista para limpeza dos dentes”, disse. Mas com os brindes oferecidos pela clínica Fairview próxima de sua casa, no fim ela achou que a sessão valeu a pena.

“A massagem na cadeira”, contou, “é a cereja do bolo”. A promoção especial da Fairview faz parte de uma nova estratégia adotada por algumas clínicas médicas a fim de tornar as mamografias algo mais atraente. As sessões que oferecem um aperitivo no bar e permitem usar roupas quentes criam uma atmosfera mais relaxada, e ao mesmo tempo vendem o descanso proporcionado por um hospital às mulheres que, em geral, tomam as decisões em matéria de tratamento médico da família.

Robert J. Min, diretor de radiologia do Centro Médico Weill Cornell do Presbyterian Hospital de Nova York, que supervisionou a abertura de uma nova clínica de diagnósticos por imagem em Manhattan, no ano passado, fez questão de que este espaço fosse luminoso e alegre.

O local onde as mulheres aguardam depois de vestir o avental hospitalar, a iluminação é suave, ajustável, há armários para guardar os objetos pessoais, uma música repousante e uma variedade de roupões e trajes para se cobrirem. “Em geral, estas as paredes destas clínicas são pintadas em tons pastel”, disse Min, “com nenúfares espalhados por toda parte”. Ao contrário, ele preferiu um papel de parede em tons ousados com flores enormes cor púrpura.

“Eu quis usar a cor, e, honestamente, injetar um pouco de vida e de pensamentos positivos nos ambientes”, afirmou. “Todos sabem, ninguém gostaria de estar lá”. Na Solis Mammography, uma cadeia de cerca de 50 clínicas nos Estados Unidos, o ambiente se assemelha ao de um spa: pisos de madeira, frases inspiradoras nas paredes, musica suave e uma paleta de cores de vários tons de cinza, lilás e verde.

A Pure Mammography, nos arredores de Nova York, usa outra tática. Ela tenta conquistar as mulheres no próprio lugar que costumam frequentar: o shopping center. A clínica tem até um quiosque cor de rosa onde as suas funcionárias abordam as frequentadoras para conversar sobre mamografia.

“As pessoas gostam de socializar em um shopping, e quando há algo diferente se interessam”, disse Felicia Telep, a gerente da clínica. “Então veem a Pure e perguntam: ‘Vocês fazem mamografias em um shopping?’”. No país inteiro, as clínicas de mamografia já oferecem outros atrativos. No fim do ano, o Skyline Hospital do estado de Washington ofereceu o tratamento de um spa, snacks incluídos.

O Yoakum Community Hospital no Texas instalou um lustre e um aspersor de essências aromáticas na área de mamografia. Até as fabricantes de equipamentos médicos aderiram. A General Electric, que vende máquinas de mamografia, agora oferece uma versão que espalha uma “leve fragrância calmante”, segundo a literatura de marketing da companhia. O argumento importante para tornar a mamografia algo que intimide menos as mulheres é o seu cuidado com a saúde. Embora as diretrizes variem, muitos hospitais recomendam que elas façam a mamografia uma vez por ano a partir dos 40.

Entretanto, nos Estados Unidos, apenas 65% das mulheres desta faixa seguiram a recomendação nos dois últimos anos, informaram os Centros de Prevenção de Doenças. Para Sydney Young, uma advogada do Texas que recentemente foi fazer o exame no Solis, estes toques carinhosos “fazem com que a pessoa sinta que o médico realmente se preocupa com a gente”.  TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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