Saed Khan/Agence France-Presse - Getty Images
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Coalas não estão extintos, mas seu futuro está em perigo

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza afirma que a população de coalas está declinando e é vulnerável, mas não ameaçada

Jacey Fortin, The New York Times

30 de dezembro de 2019 | 06h00

Não há dúvida de que os incêndios que assolam a Austrália afetaram os coalas. O destino desta espécie já ameaçada tornou-se incerto com a devastação de grandes áreas do seu habitat. Por outro lado, como o fogo continua, é difícil saber quantos foram mortos. Mas ao descrever a amarga situação destes animais é impossível qualquer exagero. A expressão “funcionalmente extinto” foi usada em alguns artigos nas redes sociais no final de novembro. Ela significa que uma espécie deixou de desempenhar um papel em um ecossistema ou que está em vias de extinção.

Isto provocou uma forte reação dos leitores que queriam saber se o marsupial peludinho, um símbolo nacional da Austrália, desapareceria para sempre. Na realidade, os coalas não estão extintos. E alguns cientistas alertaram que o exagero pode prejudicar as iniciativas de conservação.

“O que frustra particularmente no termo ‘extinção funcional’ é que ele indica uma população que basicamente passou do ponto do qual não tem volta, por isso significa que, na realidade, não há nada que possa ser feito”, disse Jacquelyn Gill, professora adjunta do Instituto da Mudança Climática e da Faculdade de Biologia e Ecologia da Universidade de Maine.

A Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza afirma que a população de coalas está declinando e é vulnerável, mas não ameaçada. Em alguns lugares, segundo os cientistas, ela declinou em até 80%. Poderiam existir centenas de milhares de coalas, mas determinar o seu número com precisão revelou-se uma tarefa impossível. Os coalas evoluíram para continuar existindo apesar dos incêndios florestais, mas os animais enfrentam novas ameaças por causa do desenvolvimento dos seres humanos e também da mudança climática.

Nas redes sociais, muitos dos que compartilharam um artigo que empregava o termo “funcionalmente extinto” indicaram outro publicado na Forbes no dia 23 de novembro. A primeira pessoa citada no artigo foi Deborah Tabart, diretora da Fundação do Coala da Austrália.

No dia 25 de novembro, outro colaborador da Forbes criticou o emprego do termo “funcionalmente extinto”. Naquele dia, a Forbes retirou a  expressão do titulo e mudou o cabeçalho do artigo pondo menos ênfase no termo. Em uma entrevista, Deborah Tabart defendeu o emprego do termo e disse que a ameaça de extinção de uma espécie deveria provocar uma série de ações, e não desestimulá-las. “Eu quero esta briga”, afirmou.

Ela define a extinção funcional como uma situação em que uma espécie desapareceria na terceira geração, e assegurou que baseou suas estimativas a respeito da população em amplas pesquisas. “Sei com certeza que não há uma população de coalas que possa se considerar segura”, acrescentou.

Segundo Gill, há muita diferença entre uma situação de calamidade e um ponto de não retorno, para as pessoas entenderem e tomarem providências. “Minha maior preocupação é que a confiança é um dos maiores bens para a comunidade científica e para a comunidade que luta pela conservação”, acrescentou. “E eu não quero que isto se perca”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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