Joel Saget/AFP
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Refrigerantes light e a possível (ou não) relação com mortes prematuras

Estudo sobre refrigerantes foi contestado por especialistas por não levar em consideração fatores como estilo de vida

Andrew Jacobs, The New York Times

25 de setembro de 2019 | 06h00

Será que exagerar no consumo de refrigerantes light leva a uma morte prematura? Recentemente, houve um sobressalto coletivo entre os consumidores de Coca Zero e Pepsi Diet, depois que a mídia divulgou a notícia de que um novo estudo descobriu que as pessoas que consomem quantidades exageradas de refrigerantes adoçados artificialmente têm 26% mais probabilidade  de morrer prematuramente do que as que raramente tomam bebidas sem açúcar. O estudo, publicado pela revista JAMA Internal Medicine, acompanhou 450 mil europeus acima dos 16 anos e monitorou a mortalidade entre os consumidores de refrigerantes adoçados artificialmente ou sem açúcar.

Não surpreende a constatação de que pessoas que tomam dois ou mais copos de bebidas adoçadas com açúcar tinham 8% mais probabilidades de morrerem jovens em comparação aos que consumiram menos de um copo por mês. Mas o que provocou medo foi a sugestão de que tomar Coca Diet seria ainda mais letal do que tomar a Coca-Cola comum. “Provavelmente seria prudente limitar o consumo de todos os refrigerantes e substituí-los por alternativas mais saudáveis como a água”, afirmou Amy Mullee, nutricionista do University College Dublin que trabalhou no estudo.

Outra pesquisa constatou uma correlação entre as bebidas adoçadas artificialmente e a morte prematura. Segundo os especialistas, o problema é que estes e outros estudos não conseguiram responder a uma pergunta fundamental: o consumo de bebidas adoçadas com aspartame ou sacarina é prejudicial à saúde? Ou será que quem consome grandes quantidades de Snapple Diet ou Sprite Zero leva uma vida menos saudável?

As preocupações com os adoçantes artificiais surgiram por volta da década de 1970, quando estudos descobriram que grandes quantidades de sacarina causavam câncer em camundongos de laboratório. A Agência de Alimentação e Medicamentos dos Estados Unidos emitiu uma proibição temporária dos adoçantes, e o Congresso ordenou estudos e um rótulo de advertências, mas pesquisas posteriores mostraram que a substância química era segura para o consumo humano.

Perda de peso

Adoçantes químicos criados mais recentemente como aspartame e sucralose também foram amplamente estudados, e apresentaram escassas evidências de serem prejudiciais para a saúde humana, segundo a FDA. Alguns estudos encontraram inclusive uma correlação entre os adoçantes artificiais e a perda de peso, mas outros sugeriram que poderiam aumentar o desejo por alimentos açucarados. Alguns especialistas continuam preocupados com a possibilidade de que dar refrigerantes diet a crianças pequenas encoraja a vontade de comer doces.

No entanto, muitos cientistas afirmam a necessidade de novas pesquisas. Segundo Mullee, não podem ser descartados os efeitos deletérios dos adoçantes artificiais, observando que os estudos sugerem uma possível relação entre aspartame e elevados níveis de glucose no sangue e de insulina nos serem humanos.

Para os consumidores, as mensagens contraditórias podem gerar confusão. Jim Krieger, diretor executivo criador da Healthy Food America, um grupo de defensores do consumidor, afirmou que o novo estudo e outros do gênero suscitam mais indagações do que respostas. “Meu Deus, a esta altura, vocês provavelmente irão querer tomar somente água, chá ou café amargo e não dar uma chance a bebidas que conhecemos pouco”, afirmou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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