Adrienne Grunwald / The New York Times
Adrienne Grunwald / The New York Times

Oito coisas que nunca mais faremos da mesma maneira depois do coronavírus

A pandemia pode mudar partes inesperadas de nossas vidas nos próximos anos, dizem os especialistas

Bryan Pietsch, The New York Times – Life/Style

28 de agosto de 2020 | 05h00

No início da pandemia, Anthony Fauci, o maior especialista em moléstias infecciosas da nação, disse algo que despertou muita atenção: os apertos de mão se tornarão uma coisa do passado. Pareceu algo forçado. Mas enquanto a pandemia não dá trégua, e nós estamos mais conscientes a respeito de germes e de higiene, “algumas das mudanças que adotamos provavelmente se tornarão duradouras”, disse Malia Jones, que pesquisa os ambientes sociais e a exposição às moléstias infecciosas no Applied Population Laboratory da Universidade de Wisconsin-Madison.

Assoprar as velas do seu bolo

A tradição de cantar ao redor do bolo de aniversário e de apagar as velinhas poderá desaparecer. “Sempre achei nojentas as cuspidas em cima do bolo”, disse Susan Hassig, professora adjunta de epidemiologia da Tulane University em Nova Orleans. Na realidade, o maior risco é cantar “Parabéns pra você” porque as gotículas de saliva que espalhamos podem transmitir doenças respiratórias, como o novo coronavírus, disse Melissa Nolan professora assistente de epidemiologia na Universidade da Carolina do Sul em Columbia. Melhor cantar ao ar livre, sugeriu, e espalhar gotículas também.

Dar uma tragada no vape de um amigo

Se você ainda fuma tabaco, já sabe que deveria deixar, e agora há um risco adicional em compartilhar um cigarro eletrônico ou um cigarro comum. Quanto à maconha, o número de usuários que prefere o tipo comestível durante a pandemia está aumentando.

As vendas legais de drogas comestíveis aumentaram 32,1% na semana de 20 de julho em comparação com a semana de 6 de janeiro na Califórnia, Colorado, Nevada e Washington, segundo dados da Headset, uma empresa de pesquisa de mercado de maconha. Por outro lado, itens inalados como bagulhos pré-enrolados e canetas vape tiveram um desempenho menor em comparação com o mercado de maconha como um todo.

“É improvável que muitas pessoas se sintam confortáveis passando um bagulho em um círculo de amigos, hoje em dia”, disse Cooper Ashley, analista sênior de dados da Headset. A professora Hassig disse que compartilhar goles ou fumaça pode contribuir para espalhar uma doença respiratória, não apenas o coronavírus.

Deixar seu filho pular em uma piscina de bolas

Nadar em uma piscina de plástico – um material que segundo os especialistas é especialmente adequado para carregar germes – poderá tornar-se uma coisa do passado. O McDonald’s já os retirou dos seus playgrounds. “Não sei se teremos piscinas de bolas no futuro”, disse ao “Time” o diretor executivo da companhia, Chris Kempczinski. “Deve haver boas razões de saúde pública para não fazermos mais muitas piscinas de bolas”.

Dar uma ajeitadinha na sua maquiagem depois do expediente

Antigamente, se você queria experimentar um novo produto – ou dar uma repassada na maquiagem de graça entre o expediente e uns drinks depois do trabalho – poderia usar os produtos para teste ou as amostras da Sephora, Ulta ou das lojas de departamentos. Você nem pensa quem poderá ter usado a escova ou a amostra de batom antes de você.

A Saks Fifth Avenue é uma das lojas que estão introduzindo mudanças.  As amostras que podem ser usadas por qualquer pessoa estão sendo substituídas por produtos descartáveis, usados uma única vez, informou ao “The New York Post” o diretor executivo da loja.

Entrar em um bar lotado de gente com som alto

Depois de meses de distanciamento, de uso da máscara e de proibição de breves papos em público, vamos voltar a berrar um na cara do outro em bares ou clubes? Os especialistas esperam que não. “O distanciamento social está se tornando uma norma comum, a esta altura”, disse Nolan. Conversar com alguém de perto, principalmente quando as pessoas conversam em voz alta ou com grande animação em um ambiente em que as bebidas alcoólicas são abundantes e a música é alta, é arriscado, afirmou Nolan.

Ele aconselha algo mais seguro, como conversar calmamente, em tom baixo. O seu comportamento em situações sociais é determinado pela maneira como as pessoas ao seu redor agem, disse Jeanine Skorinko, uma professora de Psicologia Social do Worcester Polytechnic Institute em Massachusetts. Se o seu grupo observa as normas do distanciamento social, conversa calmamente e evita compartilhar bebidas, provavelmente você fará o mesmo.

Colocar vários canudos em um coquetel gigante

Sabe aqueles copos para bebida alcoólica comicamente gigantescos? Às vezes são chamados Scorpion bowls e a bebida é compartilhada por várias pessoas com canudos longos. São decorados com peixes de plástico nadando em uma tigela de plástico para peixe. Ou então o drinque pode ser um Moscow Mule servido em uma caneca de cobre do tamanho de um vaso de flores.

Estes coquetéis gigantes são baldes de porcarias, avisam os epidemiologistas. Nolan disse que o álcool pode matar tudo o que passa pelo canudo, embora Hassig avise que alguns germes e vírus “podem sobreviver a um pedacinho de pão ou biscoito em uma bebida”. Se é que estas bebidas voltarão, só as compartilhe com companheiros de quarto muito próximos.

Convidar pessoas para uma partida de pôquer ou uma noite de Settlers of Catan Night

Receber amigos em casa pode ser melhor do que sair, porque pelo menos você controla quem pode convidar para um contato mais próximo. Mas o anfitrião deve pensar em convidar “indivíduos de uma espécie semelhante de tolerância ao risco”, disse Hassig. E você pode querer fazer uma dessas reuniões ao ar livre, se possível, dizem os especialistas.

Embaralhar e distribuir as cartas, ou inclinar-se sobre uma mesa para manipular as peças de um jogo, cartas, dados, etc., pode ser arriscado. Nolan sugeriu que se escolham apenas jogos que não exigem contato com os outros jogadores. Charada, alguém vai? (Vale observar que os jogos de cartas populares e os jogos de mesa, como Settlers of Catan, têm aplicativos que podem ser jogados com um grupo que usa telefones, tablets ou computadores.)

Apertar as mãos, abraçar um amigo, beijar o rosto

Voltemos a Fauci e ao aperto de mão. Quais as alternativas? Encostar os cotovelos – por mais desajeitado e sem graça que seja – seria talvez uma alternativa a longo prazo, segundo Hassig. Mas há uma boa notícia no que diz respeito ao abraço: é menos arriscado do que um beijo na face e menos do que o aperto de mão, segundo Nolan, porque quando abraçamos normalmente desviamos o rosto uns dos outros.

Mesmo assim, todos estes cumprimentos fazem com que as pessoas tenham um contato mais próximo quando, muitas vezes, não é necessário. “Há cumprimentos que funcionaram durante séculos”, que não implicam em tocar o outro, disse Hassig, citando o wai na Tailândia, no qual unimos as mãos como em oração e nos inclinamos ligeiramente. Ela também sugeriu apenas acenar com a mão de longe. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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