Jackie Molloy New York Times
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Com direito a comemoração, mulheres jovens aderem ao congelamento dos óvulos

Empresas do setor estão focando em mulheres dos 20 aos 30 anos como público alvo

Ruth La Ferla, The New York Times

28 Setembro 2018 | 15h45

Jennifer Lannon estava em uma clínica de congelamento de óvulos, a Extend Fertility, em Manhattan. 

Uma tela mostrava os resultados do seu exame de ultrassom.

Quantos óvulos ela iria ver? Cerca de 20, disse o médico. “Mas para garantir a fertilidade mais tarde”, acrescentou,” você está em excelente forma”.

E ela tinha de estar em ótima forma.

Jennifer tem 26 anos, mais de dez anos mais nova do que a maioria das mulheres que congelam os seus óvulos na esperança de maximizar as suas chances, quando estiverem prontas, de conceber uma criança saudável. Mas na sua mente o relógio não para.

“A fertilidade declina aos 22 anos”, ela repetia mais tarde como em um encantamento a informação que havia ouvido em uma conferência de medicina.

O seu objetivo era “saber que mais tarde na vida eu vou ter uma boa chance por poder dispor dos meus óvulos congelados quando precisar deles”.

Ela sabe também que é o alvo das muitas clínicas de congelamento de óvulos que estão surgindo, e que gabam o procedimento como se tratasse da escolha de um estilo de vida descontraído, acessível e principalmente sensato para os membros mais jovens da geração do milênio.

A preservação da fertilidade, como é conhecido o congelamento do óvulo, “era interessante, primeiramente, para as mulheres perto dos 40 anos”, disse Susan Herzberg, presidente da clínica de fertilidade Prelude Fertility.

“Agora, estamos visando as mulheres dos 20 a pouco mais de 30”, afirmou.

A mensagem, em geral amiga e baseada em fatos, mas em alguns casos em tom alarmista, varia desde os convites da Ova a “congelar para o seu futuro”, aos da Extend’s que adota um tom mais urgente: “Os óvulos são um recurso não renovável”. Algumas clínicas oferecem até festas para comemorar o congelamento de óvulos: “Vamos congelar”, convidando as pessoas a levarem fatos juntamente com o Champagne e os canapés.

Agora, as clínicas reduziram também as barreiras financeiras. Anteriormente, o custo de um único ciclo chegava a 19 mil dólares; hoje, os preços variam de cerca de 4 mil dólares a 7 mil dólares. (As taxas de armazenamento não estão incluídas.)

Cerca de 76 mil mulheres deverão congelar os seus óvulos nos Estados Unidos este ano.

Muitas hoje adiam a gravidez, mas a ambição de uma carreira não é o fator principal, mostrou um estudo realizado pela Universidade Yale. “A falta de um parceiro estável é a motivação básica”, escreveu Marcia Inhorn, antropóloga médica que chefiou o estudo.

Mas decidir realizar o procedimento quando a mulher tem pouco mais de 20 anos pode dar uma falsa sensação de segurança.

“Pressupondo que você tenha uma fertilidade normal, e nada de anormal na história da sua família, existe definitivamente um ponto em que é cedo demais, e nós não sabemos  qual o prazo de validade destes óvulos”, disse a dra. Janis Fox, professora da Harvard University.

Por outro lado, as taxas de sucesso talvez nem sejam tão impressionantes. Segundo a Sociedade Americana de Medicina Reprodutiva, há de 2% a 12% de chances de um único óvulo congelado produzir um nascimento. E ainda os óvulos podem se perder. Recentemente, falhas na refrigeração em duas clínicas acabaram destruindo milhares de óvulos.

Mas para Danielle Page, 30, que se submeteu ao processo na Extend em fevereiro, os benefícios em potencial superam consideravelmente os riscos.

“Você cuida do seu corpo assim como de sua casa”, ela disse. “Você espera que sua casa não sofra uma inundação, mas faz um seguro no caso de isto acontecer”.

Mulheres com menos de 30 anos contam com a possibilidade de dar à luz mais tarde na vida.

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