Rebecca Smeyne / The New York Times
Rebecca Smeyne / The New York Times

Com foco em público diverso, pôsteres conquistam respeito enquanto arte

Fundadores do museu Poster House, o primeiro nos Estados Unidos dedicado à arte e à história global dos pôsteres, buscam mais reconhecimento do gênero que decolou no fim dos anos 1860

Ted Loos, The New York Times

11 de julho de 2019 | 06h00

Os pôsteres não são muito respeitados no universo da arte, mas os fundadores do museu Poster House, o primeiro nos Estados Unidos dedicado à arte e à história global dos pôsteres, esperam mudar isso. Inaugurado no dia 27 de junho em Nova York, o museu adota uma abordagem dedicada a um gênero que decolou no fim dos anos 1860 e se tornou tão onipresente que alguns chegam a se esquecer que do seu potencial artístico.

“Eles têm um grande impacto no retrato de uma cultura e um período", avaliou Angelina Lippert, curadora principal, citando o apelo democrático dos pôsteres, algo que as pessoas encontram diariamente. “É uma forma bastante valiosa de observar a história social de algo que afetava o cidadão médio”. Mantido pelo financiamento privado, o Poster House começou com um acervo de sete mil pôsteres de mais de 100 países.

A programação aberta tem como objetivo misturar um pouco do conhecido com o novo. A maior das duas exposições principais, Alphonse Mucha: Art Nouveau/Nouvelle Femme, destaca o artista checo e suas floridas imagens no estilo Art Nouveau. Mucha (1860-1939) capturou o clima da belle epoque (a maioria dos pôsteres da exposição foi emprestada pela Fundação Richard Fuxa, em Praga).

A carreira de Mucha como ilustrador não decolou antes de ele passar dos 30 anos, morando em Paris. Foi então que ele começou um frutífero relacionamento de trabalho com a grande atriz da época, Sarah Bernhardt. Seu primeiro cartaz, Gismonda (1894), para uma peça de Sarah, “quebra as regas dos pôsteres", disse Angelina, com a forma alta e esguia, a paleta de cores pastel e o detalhamento incomum. Já em 1900, o talento de Mucha era bastante requisitado. Ele ajudou a transformar uma marca de biscoitos, Biscuits Lefèvre-Utile, com a dramática imagem do Flerte.

“Ele nos transporta da lancheira para o camarote da ópera", observou Angelina a respeito do design, com um casal romântico trocando olhares e nem uma única migalha de biscoito à vista. A exposição mostra também um desenho de Mucha para os papéis de enrolar cigarros Job, bem como pôsteres da empresa criados por sete outros artistas, incluindo um exemplo de 1895 por Jules Chéret, considerado o pai dos pôsteres modernos.

Uma exposição menor, Designing Through the Wall: Cyan in the 1990s, mostra a criativa obra gráfica de um coletivo de design chamado Cyan, fundado na Berlim Oriental. O Cyan usava algumas das primeiras ferramentas da editoração eletrônica, como o PageMaker e o Photoshop, para criar imagens densas para a Fundação Bauhaus Dessau - versão moderna da academia de arte Bauhaus - e outras organizações culturais. As duas exposições ficam em cartaz até 6 de outubro.

As próximas exposições programadas se concentram em uma área menos conhecida do gênero. Uma delas, The Golden Age of Ghanaian Hand-Painted Film Posters, oferece uma amostra das aspirações da ascendente classe média de Gana nos anos 1990, após um período de instabilidade. Outra, Three Years Later: The 2017 Women’s March & Where We Are Today, pretende mostrar o interesse do Poster House na diversidade em um gênero em que boa parte das obras é feita por homens, seja na Europa ou nos EUA.

A diretora do museu, Julia Knight, disse que o objetivo era criar uma atmosfera receptiva, como o próprio suporte. “Esperamos que este seja um museu para todos", defendeu. “Os pôsteres são pensados e desenhados para todos na rua”. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

 

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