Jeenah Moon para The New York Times
Jeenah Moon para The New York Times

Com nova liderança, Ballet Nacional de Cuba salta rumo ao futuro

Estrela do país, a bailarina Viengsay Valdés, assume a vaga antes ocupada por Alicia Alonso e promete preservar legado da companhia

Brian Seibert, The New York Times

31 de maio de 2019 | 06h00

Até os maiores admiradores reconhecem que o Ballet Nacional de Cuba parecia uma instituição encalhada no passado. Um dos motivos era bastante óbvio: a idade avançada da diretora artística da companhia, Alicia Alonso, hoje com 98 anos. Com o passar do tempo, muitos rumores de possíveis sucessores circularam e desapareceram, enquanto Alicia, que sofre de cegueira parcial desde os anos 1940, falava em viver até os 200 anos. Mas seu controle da companhia foi finalmente relaxado. Em janeiro, o ministro cubano da Cultura nomeou Viengsay Valdés, 42 anos, a primeira bailarina do Ballet Nacional, como vice-diretora artística da trupe.

Em Cuba, onde o público cantarola a trilha sonora dos balés e os bailarinos são celebridades, Viengsay é uma heroína local. E ela tem consciência da sua missão: “Tenho que preservar o legado de Alicia Alonso, mas também atualizar a companhia", disse ela durante visita a Nova York. A nomeação foi uma surpresa. Mas, depois de 25 anos com a companhia, ela sabe como a organização funciona e está ansiosa para modernizá-la.

O cargo de vice-diretora artística pode soar como posição subordinada, mas Viengsay disse agora ser a responsável por todas as decisões artísticas: programação, elenco, promoções. O que significa que, pela primeira vez na história da companhia, formada em 1948 como a Companhia de Ballet Alicia Alonso por Alicia, o marido, Fernando, e o irmão dele, Alberto, e rebatizada como Ballet Nacional após a Revolução Cubana de 1959, o comando ficará com alguém que não tem o sobrenome Alonso.

Viengsay “é a escolha perfeita", disse a americana de ascendência cubana Lourdes Lopez, diretora do Balé de Miami. De acordo com Lourdes, ela é um produto do país. “Já dançou fora de Cuba, mas se manteve muito leal". Nascida em Havana, Viengsay passou os primeiros anos de sua vida no Laos, onde o pai servia como embaixador cubano.

Aos seis anos, estava de volta a Havana e, aos nove, entrou para o sistema cubano de ensino de balé. Aos 17, formou-se com a entrada no Ballet Nacional. Naquela época, anos 1990, havia o que Viengsay descreveu como “rombo geracional", pois muitos dançarinos estavam desertando, um problema que não foi superado. Viengsay ficou no país e logo alcançou a posição mais alta.

Ao dançar com a companhia em turnês internacionais, ela foi elogiada pela beleza e entusiasmo, pelos intermináveis giros e equilíbrio perfeito. Os críticos brincavam dizendo que ela escondia rolamentos na sapatilha. Ficaram maravilhados com a capacidade de manter-se na ponta dos pés enquanto “o tempo olha as unhas", como escreveu a crítica Ismene Brown no The Daily Telegraph.

Mas o novo cargo exigirá de Viengsay um tipo diferente de equilíbrio, entre o pesado legado da companhia e suas próprias ideias. “Tenho muito orgulho de fazer parte do balé cubano, de viajar pelo mundo e voltar", disse ela. “Ser renomada e amada em seu próprio país é a maior satisfação que uma artista pode ter.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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