Travis Rector/Gemini Observatory/NSF/AURA
Travis Rector/Gemini Observatory/NSF/AURA

Cometa interestelar pode ser visto nas férias de fim de ano

Cálculos mais recentes mostram que o viajante está passando mais próximo do sol e chegará próximo da Terra no dia 7 de dezembro, antes de sair do sistema solar

Dennis Overbye, The New York Times

22 de outubro de 2019 | 06h00

O provável cometa interestelar é realmente um cometa interestelar, e agora tem um nome, uma data e um destino. No dia 7 de dezembro, o viajante recentemente batizado 2I/Borisov fará a sua maior aproximação do sol e então começará a viagem de volta nos céus do hemisfério sul, em dezembro e janeiro.

Esta aparição interestelar anunciou sua presença em agosto, quando Gennady Borisov, astrônomo da Crimeia, observou um ponto de luz difusa cruzando o espaço entre as estrelas de Câncer seguindo uma trajetória peculiar. Astrônomos do mundo inteiro indagaram de onde ele vinha e para onde iria. Seria outro Oumuamua, a rocha em formato de charuto – mais tarde definida o primeiro cometa interestelar conhecido –  viajando pelo sistema solar em 2017?

O objeto de Borisov pareceu inicialmente um cometa. Logo, os astrônomos mudaram o seu nome, BG00234, para C/2019 Q4 (Borisov) enquanto observavam, mediam e tentavam confirmar se ele vinha de fora do sistema solar. No fim de setembro, os astrônomos do Minor Planet Center da União Astronômica Internacional e do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA concluíram que o cometa  havia de fato vindo de fora do sistema. E o rebatizaram 2I/Borisov, ‘I’ de interestelar e ‘2’ para indicar que se tratava do segundo cometa do gênero descoberto.

Mais próximo do sol

Ao contrário de Oumuamua, que foi descoberto saindo do campo dos nossos planetas, o Borisov foi descoberto ao entrar. Os cálculos mais recentes mostram que ele está passando mais próximo do sol – cerca de 290 milhões de quilômetros, aproximadamente tão perto quanto chegará da Terra – no dia 7 de dezembro. Então voltará para fora do sistema solar.

Entretanto, será visível no céu do hemisfério sul por vários meses - “um cometa natalino”, brincou Michele Bannister, astrônomo da Queen’s University de Belfast. Usando telescópios nas Ilhas Canárias, da Espanha, uma equipe de astrônomos chefiados por Alan Fitzsimmons, da Queen’s University de Belfast, detectou a presença de cianogênio, um gás tóxico comum em cometas, na nuvem gasosa ao seu redor.

Foi a primeira vez que os astrônomos detectarem gás emitido por um objeto interestelar. “Acima de tudo, achamos que gás, poeira e propriedades nucleares relativas ao primeiro Objeto Interestelar ativo são semelhantes aos dos cometas  normais do sistema solar”, escreveram Fitzsimmons e seus coautores em um paper apresentado ao periódico científico Astronomical Journal Letters.

Cometas são fragmentos de gelo

Segundo a teoria levantada pelos astrônomos, os cometas são fragmentos de gelo remanescentes da formação dos planetas nos gélidos espaços exteriores dos sistemas planetários. Encontros subsequentes com grandes planetas podem lançar estes icebergs cósmicos na direção de suas estrelas ou no espaço interestelar.

Mas nenhum dos aproximadamente quatro mil supostos exoplanetas orbitam nas regiões geladas ao redor de suas estrelas, onde isto poderia acontecer. Portanto, Malena Rice, em pós-graduação na Universidade Yale, e o seu orientador Gregory Laughlin começaram a procurar outros. E encontraram provas dos chamados “planetas ocultos” na forma de vãos em discos de escombros gelados que circundam cerca de 20 estrelas observadas pelo radiotelescópio Atacama Large Millimeter Array, no Chile. Cerca da metade das estrelas jovens da Via Láctea poderia ter estes discos e hiatos e jogar para fora os cometas, concluíram os pesquisadores em um paper que redigiram em julho, pouco antes de o Borisov ser descoberto.

Rice disse: “É muito provável que os objetos interestelares passem regularmente pelo sistema solar, e que nós, não dispondo de telescópios suficientemente sensíveis, não possamos vê-los”. Neste caso, vários deles passarão a ser visíveis  os astrônomos todos os anos assim que o Grande Telescópio de Levantamento Sinóptico, no Chile, entrar em operação em 2022. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.