Associação Libra
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Como deve funcionar a criptomoeda do Facebook

A Libra, como é chamada a moeda digital, poderá ser enviada instantaneamente, quase sem tarifas, para qualquer parte do mundo a partir de 2020

Nathaniel Popper e Mike Isaac, The New York Times

29 de junho de 2019 | 06h00

O Facebook e um consórcio de 27 parceiros lançaram recentemente a Libra, uma criptomoeda, com o objetivo de criar uma nova moeda global, e preparar as bases de um novo universo de serviços financeiros. Como isto funcionará? Vejamos a seguir os  elementos básicos: A Libra poderá ser enviada instantaneamente, quase sem tarifas, para qualquer parte do mundo. Ela se baseia nos mesmos princípios do bitcoin. Mas, ao contrário deste, o propósito da Libra é ter um valor estável respaldado por moedas internacionais, como dólar, euro e iene. Uma ONG suíça é responsável  pelo funcionamento do sistema.

Os parceiros querem que as primeiras moedas de Libra estejam disponíveis para o público em 2020. Entretanto, antes do seu lançamento, a associação suíça precisará encontrar bancos dispostos a garantir a moeda. Além disso, as autoridades reguladoras terão de aprovar o projeto da criptomoeda.

A Libra foi criada de maneira que qualquer companhia possa aceitar a moeda e criar carteiras que permitam que as pessoas a detenham e a gastem. O Facebook disse que pretende oferecê-la aos 2,7 bilhões de clientes que atualmente utilizam seus serviços Messenger Facebook e WhatsApp. Também espera permitir que a libra seja utilizada para pagamento, por exemplo, de anúncios em sua rede social.

O Facebook criou uma subsidiária, a Calibra, que será responsável por tornar a Libra disponível aos seus usuários. A Calibra quer criar outros serviços além da Libra, como serviços financeiros, empréstimos e investimentos. A companhia espera que os seus parceiros, como Uber e Spotify, também aceitem a Libra como forma de pagamento.

Todas as vezes que alguém comprar a Libra, este dinheiro será depositado em uma conta bancária na qual permanecerá intocado, de modo que o valor da Libra em dólares ou euros será respaldado por um dólar ou euro no banco, segundo os documentos de criação da nova moeda. Isto é importante porque os valores em Libras que o banco detiver gerarão juros que poderão ser usados para remunerar os investidores iniciais da criptomoeda.

Esta estrutura significará que será possível criar um número infinito de Libras, ao contrário do bitcoin, cujo limite é de 21 milhões. O Facebook e outras companhias que criaram as carteiras de Libras poderão encorajar novos clientes dando a eles um pequeno número de Libras para começarem. Eles também poderão comprar Libras transferindo o dinheiro de uma conta bancária ou cartão de débito. O custo de uma Libra será determinado pelo valor da cesta de moedas globais à qual estará atrelada, e com o tempo ela flutuará ligeiramente com base no valor das moedas que a compõem.

Se o cliente quiser transformar a Libra em moedas tradicionais, a Calibra realizará a conversão na taxa vigente. Os clientes do Facebook poderão criar uma carteira com Libras certificando suas identidades online. Outras companhias que trabalharem com Libras poderão criar suas próprias carteiras e certificar seus próprios clientes. Somente as companhias aprovadas pela associação suíça da Libra poderão movimentar o dinheiro dentro e fora do sistema./ TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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