Sergey Ponomarev para The New York Times
Sergey Ponomarev para The New York Times

Como o cobre pode ser um sensor para o sucesso da economia

O preço do metal caiu 19% desde junho, reflexo da preocupação com a China

Matt Phillips, The New York Times

28 Agosto 2018 | 10h00

Os nerds dos investimentos do mundo inteiro referem-se ao cobre com um título especial: Doutor Cobre, porque supostamente permitiria prever os rumos da economia global.

Sua fama reflete o enorme emprego uso do metal em importantes setores cíclicos, como o da construção e o automotivo. Se a demanda de cobre começa a baixar, provocando uma queda dos preços, afirmam, esta é uma boa indicação de que as economias industriais estão reduzindo o ritmo.

Neste momento, embora os investidores americanos em ações não pareçam muito preocupados com o impacto de uma guerra comercial, o metal está provocando alarme. O preço do cobre caiu 19% desde o início de junho e se encontra em seu patamar mais baixo em cerca de um ano. Trata-se de uma queda mais acentuada do que a de outras commodities, como o petróleo bruto, que andou caindo nas últimas semanas.

A preocupação com a China, a maior consumidora do metal, é o principal motivo desta debilidade. A perspectiva econômica do país asiático é menos otimista desde o início da guerra comercial com os Estados Unidos, quando os preços do cobre estavam perto do pico.

“A liquidação começou com as tarifas”, afirmou Natasha Kaneva, analista do JPMorganChase de Nova York.

A guerra comercial está afetando a China que atualmente enfrenta uma difícil transição do modelo de crescimento que alimentou a ascensão do país - uma mescla de endividamento, investimentos estatais e atividade industrial voltada para a exportação - para o consumo interno. Dados recentes sugerem que o processo não está isento de dificuldades.

No segundo trimestre, os empréstimos duvidosos nos bancos chineses registraram o maior aumento em mais de dez anos, segundo a Capital Economics. A inadimplência no pagamento de debêntures está aumentando, e recentemente o crescimento dos investimentos chineses, que constitui há muito tempo um motor da economia, caiu para o seu patamar mais baixo desde o final dos anos 90.

“O que está ocorrendo é uma combinação de fatores”, afirmou Simona Gambarini, economista da Capital Economics. “O dólar forte, a freada da China e a preocupação com uma guerra comercial entre China e EUA, que não faz prever nada de bom para a China em particular, mas também para a economia global”.

A moeda chinesa, o renminbi, caiu mais de 9% em relação ao dólar nos últimos seis meses, e este ano o índice CSI das 300 ações blue chip da China baixou 19%. As pressões sobre um país que representa cerca de 15% da economia mundial deveriam preocupar os investidores. Mas, por enquanto, os investidores nos Estados Unidos parecem achar que a China é um problema dos outros.

O índice de 500 ações da Standard & Poor’s subiu mais de 6% este ano e se encontra pouco abaixo da sua recente alta recorde, graças ao vigor da economia americana. Este crescimento se traduziu em fortes lucros para as empresas.

Entretanto, partes substanciais da receita das grandes corporações americanas dependem das vendas ao exterior. No ano passado, 44% das receitas de empresas das 500 da S&P vieram de países estrangeiros, de acordo com os índices da S&P Dow Jones, com a Ásia como a maior fonte regional individual de vendas.

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