Sete maneiras para dar 'novo fôlego' ao seu relacionamento

Sete maneiras para dar 'novo fôlego' ao seu relacionamento

Especialistas afirmam que os casais podem sair mais fortes do que nunca da pandemia aprendendo com o passado e olhando para o futuro

Jancee Dunn*, The New York Times - Life/Style, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2021 | 05h00

À medida que saímos da nossa reclusão pandêmica, todos nós, muito ou pouco, mudamos. E também nossos relacionamentos.

“Durante esse período, os casais podem ter passado tanto tempo um com o outro o que normalmente seria um longo período de dois a três anos”, disse Bryce Doehne, psicólogo clínico em Portland, Oregon. “E tiveram de assumir múltiplos papéis que anteriormente eram preenchidos por outros, como os amigos, o que é impossível”.

Agora, quando retornamos à vida normal, esta é a oportunidade perfeita para dar uma "reiniciada" na relação – aprender com o tempo que ficamos isolados juntos e olhar para o futuro

 Abaixo um plano de sete pontos para começar.

Fazer uma revisão da relação

Em primeiro lugar, sentem-se juntos para avaliar o que funcionou – ou não – na sua relação durante a quarentena, diz Christiana Ibilola Awosan, terapeuta de Nova York. A fim de fazer mudanças positivas, comece compartilhando com seu parceiro o que aprendeu sobre si mesma durante a pandemia, recomenda a terapeuta.

Em seguida, aproveite essa avaliação para continuar a conversa, com perguntas como: o que a pandemia nos mostrou sobre a nossa relação? O que desejamos para continuar avançando? O que devemos descartar? O que o surpreendeu a meu respeito durante a pandemia?

“Às vezes, nos concentramos naquilo que nos aborrece no nosso parceiro, mas há algumas coisas boas que devem ter surpreendido você, como a força que não sabia que ele tinha”, diz a terapeuta.

Expressar sua admiração

Talvez durante o ano passado você não tenha tido vontade de elogiar seu parceiro – mas um feedback positivo é importante, segundo um estudo de quase três décadas sobre casamento e divórcio realizado por Terri Orbuch, professora e pesquisadora na Universidade de Michigan e que dá aulas de sociologia na Universidade de Oakland. Um dos maiores arrependimentos dos seus pacientes divorciados é não terem manifestado mais afeto, incentivo e apoio ao seu parceiro na forma de palavras ou gestos conscientes. Isso inclui elogios como “você é um excelente pai”. Orbuch chama o descaso para com esses atos simples de “o assassino ignorado dos relacionamentos”.

Lembra daquele momento efêmero quando uma explosão de afeto ou atração pelo seu parceiro surgiu na sua mente? “Não deve ficar só no pensamento”, diz Don Cole, terapeuta especialista em casamentos e diretor clínico do Gottman Institute em Seattle. "Não deveria 'não precisar falar'".

“Muitos de nós achamos que nossos parceiros sabem que os amamos, especialmente depois de vivermos juntos durante anos”, disse ele. Mas pesquisa realizada pelo Gottman Institute, renomado laboratório para o estudo dos relacionamentos, concluiu que os casais mais bem-sucedidos regularmente “abrem a boca e realmente expressam palavras de amor, respeito e admiração um pelo outro”.

Essas manifestações são ainda mais importantes quando você é específico, afirma Cole. “Minha mulher é soprano formada e eu disse a ela: 'ontem, você estava arrumando a casa cantando, e eu fiquei emocionado ao ouvir você', disse ele.

Por que essa especificidade é importante? Dizer “você é atencioso” é belo, mas quando seu parceiro conta uma história positiva em que você demonstrou sua consideração para com ele, é provável que isso ficará na sua mente, você irá valorizar e a fará se sentir bem”.

Passar um tempo separado

Importante que cada pessoa tenha um tempo só para ela no dia, mesmo que seja uma breve caminhada. Liad Uziel, professor do departamento de psicologia na Bar-llan University, em Israel, diz que o tempo passado sozinho e aquele com outras pessoas “moldam nosso caráter a partir de diferentes perspectivas”.

Quando estamos sós, diz ele, “a pressão externa diminui, ficamos mais no controle dos acontecimentos e conseguimos administrar nosso tempo de modo mais livre”. O tempo sozinho, diz ele, também é importante para o que se chama “consolidação da identidade”, em que pensamos no passado para processar os fatos e no futuro para estabelecer objetivos.

Nos nossos relacionamentos, ter um tempo sozinho "oferece uma oportunidade maior para cada parceiro de desenvolver sua identidade pessoal, independentemente, o que vai beneficiar sua relação e fortalecê-la”, diz Uziel.

Reservar um tempo para se relacionar

Menos sexo nesses dias? Não é apenas você. Uma recente pesquisa on-line com 1.559 adultos sobre sua vida íntima, realizada pelo Kinsey Institute da Universidade de Indiana, revelou que mais de 43% dos participantes reportaram um declínio da qualidade da sua vida sexual desde o início da pandemia.

Um período de seca sexual não é surpresa, diante do estresse e da incerteza resultantes da pandemia, disse Shannon Chavez, terapeuta de Los Angeles. Se você precisa de um empurrão para voltar ao jogo, disse ela, pense na relação sexual como "um cuidado pessoal, algo que você faz para cuidar da sua saúde e bem-estar”. Priorizar o sexo como saúde torna mais fácil arranjar tempo para esses momentos íntimos.

Isso inclui colocar o sexo na sua agenda. “É melhor para sua vida sexual do que parece. As pessoas temem que isso vai eliminar a excitação, mas pelo contrário, a expectativa aumenta com o planejamento, e não é apressado e o sexo não se torna algo que fica pendente”.

Por que não ter sexo uma vez por semana? Não só é um objetivo viável, mas de acordo com um estudo com mais de 25 mil adultos, é excelente. Pesquisa publicada em 2016 na revista Social Psychology and Personality Science, concluiu que sexo uma vez por semana é ideal para um maior bem-estar. Se os participantes da pesquisa, entre 18 e 89 anos praticavam sexo mais do uma vez por semana, a felicidade que relataram realmente condizia com isso e essa conclusão era real tanto no caso de homens como de mulheres e coerente independente de quanto tempo viviam juntos.

Ir a festas

Apesar de termos visto muito o nosso companheiro durante o ano passado, as reuniões sociais fazem falta pois são nesses momentos que você vê seu parceiro através dos olhos dos outros, diz a Kendra Knight, professora assistente de estudos da comunicação na DePaul University. Segundo ela, ver seu parceiro num evento – vestido, talvez sendo uma pessoa divertida, pode renovar sua própria atração por ele.

Nossa avaliação dessa atração pelo nosso parceiro, às vezes referida como "valor do parceiro", disse ela, "em parte é feita em função da apreciação de outras pessoas". Isso pode variar, diz Kendra, da atração física à atração social (se, digamos, ele é a alma da festa) até a "chamada atração de tarefa" - como por exemplo fazendo um  monte de suas famosas margaritas, ou vencendo um jogo.

Naturalmente, se o seu companheiro não é propenso a grandes eventos, nunca gostou de festas no bairro onde moram, você pode ter como meta um jantar com amigos ou familiares mais próximos. Cada um de nós tem seu próprio nível de conforto quando se trata de retornar ao mundo lá fora depois de tanto tempo isolado. "Os casais devem discutir o assunto regularmente entre eles e cada um deve falar como se sente ao sair", diz Awosan. "E procurar ser gentil e paciente seja qual for o sentimento do seu parceiro".

Redescobrir seu lado lúdico

Os últimos 18 meses foram pesados. Agora que começamos a entrar no verão [no hemisfério norte] com bem menos restrições, é bom pensar em trazer um pouco de frivolidade de volta à vida. Ser mais lúdico na sua relação pode reviver aquela centelha, de acordo com um estudo da Martin Luther University Halle-Wittenberg, na Alemanha.

O autor principal do estudo, Kay Brauer, pesquisador do departamento de psicologia, descobriu que as pessoas “muito bem-humoradas”, ou “contadoras de piadas que divertem os outros”, são particularmente "importantes para se retomar um relacionamento depois de longos períodos de monotonia na quarentena".

As pessoas divertidas costumam contar piadas que só seu parceiro entende, surpreendê-lo, dar a ele um apelido afetuoso ou revigorar experiências conjuntas, como seu primeiro encontro ou aquele tempo desastroso em que experimentou cantar em um karaokê. Busque oportunidades para criar situações divertidas ou agir de modo mais frívolo, como ir a um parque de diversões. "Se existe um momento para nos surpreendermos e o nosso parceiro com algo novo e inesperado, esse momento é agora”, disse Brauer.

Fazer planos

Fazer planos juntos, seja de férias ou de reforma da casa, ou mesmo conhecer um novo restaurante, ativa o desejo do nosso cérebro de novas experiências, diz Knight. “Isso, por outro lado, aumenta a atração e o interesse em nosso parceiro”. E reforça nosso vínculo, diz Awosan: “Pesquisas têm mostrado que quando os casais agem como uma equipe, isso aumenta a satisfação e a qualidade do seu relacionamento”.

Nos últimos 18 meses “as pessoas perderam emprego, entes queridos, a consciência de si mesmo”, disse Awosan. “Todos nós perdemos alguma coisa”. Planos para seguir em frente, juntos, simbolizam a esperança e o otimismo. “Trata-se do futuro”, diz ela. “E mostra que estamos seguindo em frente”.

*Jancee Dunn é o autora de 'How Not To Hate Your Husband After Kids' (Como não odiar seu marido depois das crianças). / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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