Ana Escobar/EPA, via Shutterstock
Ana Escobar/EPA, via Shutterstock

Companhias aéreas podem não ser obrigadas a acomodar animais de suporte emocional

A proposta é do Departamento dos Transportes dos Estados Unidos, que tenta limitar quais são os pets que se qualificam como animais de serviço, com exceção dos cães

Caroline Arbour, The New York Times

09 de fevereiro de 2020 | 06h00

Ter um cachorro pode trazer benefícios, a começar pelo fato de que o seu dono pode ter uma vida mais longa. Pesquisadores concluíram recentemente que as pessoas que têm um cachorro têm um risco 24% menor de morrer em qualquer idade em comparação com as que não têm. Além disso, o risco de morte por doenças cardiovasculares é 31% menor, segundo análise de dez estudos sobre o tema.

“Vejam todos os benefícios por se ter um cachorro – vantagens cardiovasculares, redução de sintomas de depressão, pressão sanguínea mais baixa”, enumerou ao The Timesa Caroline K. Kramer, endocrinologista da Universidade de Toronto que chefiou a análise. Ela ficou particularmente impressionada por um estudo realizado entre pessoas que já sofriam e cuja taxa de mortalidade foi 65% inferior nas que possuíam um cão.

Kramer alertou, entretanto, que os estudos não provaram causa e efeito. Mas a ideia do cão como melhor amigo do homem é o sentimento atualmente destacado pelo Departamento dos Transportes dos Estados Unidos que tenta limitar quais são os pets que se qualificam como animais de serviço. Segundo a sua nova proposta, as companhias aéreas não serão mais obrigadas a acomodar animais de suporte emocional, e todos os animais de serviço – com exceção dos cachorros – serão proibidos por razões de saúde e segurança.

As pessoas tentam levar uma grande variedade de animais a bordo de aviões, como papagaios, macacos e cavalos em miniatura, afirmando que os seus pets as ajudam a reduzir a ansiedade. Mas “os dias da Arca de Noé no ar felizmente estão chegando ao fim”, afirmou a Associação dos Sindicatos dos Comissários de Bordo.

A norma afetará pessoas como Mona Ramouni, que é cega e depende do seu pônei, Cali, para assisti-la nas tarefas diárias. “Se há uma ordem que diz que os cavalos não são mais permitidos, a coisa fica mais difícil”, lamentou Mona. “Não vou mais poder dizer que o céu é o limite”.

Embora a proposta possa deixar em terra algumas duplas animal-homem, será preciso muito mais para separá-los – nem mesmo a morte talvez será suficiente. Theresa Furrer, proprietária de Nine Lives Twine, trabalha para homenagear os companheiros peludos que deixaram esta vida, transformando pelo de gato e de cachorro em fio para tecer lembrancinhas.

Uma das coisas mais difíceis que os proprietários de animais de estimação enfrentam é dizer adeus, mas ter uma lembrança física pode amenizar a perda: Theresa guarda o seu amado gato, Cleo, empalhado no seu ateliê. “Eu vejo isto como o meu ministério. Se eu  for capaz de ajudar o coração de alguém a sarar, terei alcançado o meu objetivo", disse.

Katie Jane Thomas, de 53, recorreu à arte de Theresa para criar uma lembrança de Yobee, um cruzamento de chow-chow com labrador, que era a “alma gêmea” do marido. Os pelos da escovação de Yobee quando estava ainda vivo hoje estão em um xale que ela tricotou e que o casal pretende exibir. “Tirá-lo da caixa já foi um presente", argumentou Katie. “Só vi meu marido chorar duas vezes, esta foi uma delas”.

Suporte emocional

Evidentemente, o suporte emocional entre animais de estimação e seres humanos é uma via de duas mãos, dando origem aos cuidados veterinários “sem medo”. Como os seres humanos, a ansiedade crônica pode produzir consequências duradouras para a saúde dos animais e até mesmo mascarar outros problemas de saúde, por isso técnicas como a música suave, ruídos reduzidos e sedativos suaves são usados para ajudar.

“Quase todos os problemas de comportamento que vemos nos pets são devidos ao medo, à ansiedade e à dor”, explicou Gary Landsberg, veterinário canadense especialista em comportamento. Com os cuidados compassivos do veterinário não há nenhum tratamento preferencial para os cachorros, mas os gatos podem resistir. Segundo Eileen Simoneau, dona de três: “Os gatos não jogam em time”. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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