Jason Henry para The New York Times
Jason Henry para The New York Times

A forma como fazemos nossas refeições pode trazer alegria, ou estresse

Há quem prefira um jantar em silêncio, outros preferem um restaurante barulhento e há ainda aqueles que querem ficar nus na cozinha

Alan Mattingly, The New York Times

01 de março de 2020 | 14h10

Uma boa refeição satisfaz. Uma refeição ótima faz muito mais. Mas a forma como fazemos as refeições é diferente para todo mundo.

Caren Osten Gerszberg encontrou um inesperado e maravilhoso ingrediente durante um retiro espiritual em Massachusetts: o silêncio.

Sentar para comer - sem falar, ler, usar o celular - foi um verdadeiro exercício sobre estar presente no momento", ela escreveu no The Times. "Andando na fila do buffet, eu enchi o meu prato com uma saborosa comida vegetariana, expressei minha gratitude (silenciosamente!), e contei quantas cores havia no meu prato. Meu melhor entretenimento: um lindo comedouro para pássaros colocado no lado de fora da janela do salão de janta. Todas as refeições proporcionavam a vista para uma briga entre esquilos e pássaros."

Talvez este tipo de retiro seja o lugar certo para alguns dos leitores de Nova York que escrevem para Pete Wells, o crítico de restaurantes do Times.

Ainda que ele tenha adiado, ele finalmente escreveu: "o mais difícil foi não perceber que eu estava evitando o assunto. E então eu perguntei a mim mesmo: qual é a razão disso? Eu tive que admitir que eu realmente não acredito que restaurantes barulhentos sejam um problema. A verdade é que eu amo eles."

Do ponto de vista de Wells, restaurantes são um dos poucos lugares onde pessoas reais soam como pessoas reais.

"Há um ritmo de flerte; o jeito irritado das pessoas se mostrando e ao seu dinheiro; o barulho do debate", ele escreve. "As pessoas que estão se conhecendo são barulhentas de um jeito, e velhos amigos são barulhentos de um jeito completamente diferente."

Este barulho, às vezes, pode ser tão vital para a experiência da refeição quanto a comida à mesa, argumenta Wells. Ou então, as sobras que estão no refrigerador seriam o bastante.

"Nós comemos fora por outros motivos", ele escreveu. "Nós saímos para observar, talvez para sermos notados, geralmente para falar com as pessoas que nos acompanham. Alguns de nós querem um drinque ou dois, e quase todos queremos aliviar um pouco a pressão do dia a dia".

Para aqueles que querem aliviar toda a pressão diária, no entanto, ficar em casa é provavelmente a melhor escolha. "Eu me sinto mais livre e criativo quando estou nu ao cozinhar", diz Jack Clark ao preparar massa para um jantar em sua casa em um resort nudista na Flórida. Ele estava nu, claro, assim como a maioria dos seus convidados.

Esta é uma situação ao qual Clark não ficaria confortável no passado. Quero dizer, o encontro para jantar, não o nudismo.

"Eu era muito tímido e uma pessoa introvertida", ele disse ao The Times. "Eu ficava isolado. Eu não tinha muitos amigos. A partir do momento que fiquei nu, isso desapareceu. Minha vida mudou." Uma de suas convidadas, Karyn McMullen, disse que ela costumava odiar encontros como este. Os jantares não eram sem roupa, então os encontros não eram iguais.

"As pessoas eram sempre pretensiosas", ela disse. "Tinha sempre aquela conversa fiada. Agora eu sou eu mesma. Eu não tenho que esconder quando não entendo alguém." Todos são iguais, aparentemente, quando elas estão sentadas com os bumbuns em suas toalhas nas cadeiras.

E mesmo que os nudistas tenham que tomar cuidado extra para evitar respingos de óleo, muitos acreditam que cozinhar é melhor quando você faz "ao natural".

"É como quando um pintor liberta sua mente de todos o resto", diz Clark. "Ele pinta o que for". / TRADUÇÃO DE TANIA VALERIA GOMES

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