Você está convidado para o casamento se mostrar prova de que foi vacinado

Você está convidado para o casamento se mostrar prova de que foi vacinado

Alguns casais visando um casamento mais seguro agora vêm exigindo que os convidados se vacinem contra a Covid-19 para participarem da festa

Danielle Braff, The New York Times - Life/Style

06 de fevereiro de 2021 | 22h30

Os convidados para o casamento de Aliza Krichevsky em setembro terão de, teoricamente, estar vacinados contra a covid-19 semanas antes da cerimônia ou não poderão participar da cerimônia.

Uma imunidade total não ocorre antes de sete a 14 dias após a segunda dose da vacina (um mês depois da primeira dose) e assim os convidados precisam planejar a vacinação com antecipação.

“Nós pedimos gentilmente para todos os nossos convidados se vacinarem”, disse Aliza, jornalista em Washington, acrescentando que inúmeras pessoas de alto risco (incluindo ela própria) participarão da festa em cinco de setembro no Watergate Hotel em Washington, que reunirá mais de 280 pessoas. Aliza tem asma, seu avô tem diabete tipo 2, seu sogro se submeteu a uma gastroplastia e um transplante de fígado - e ela prefere que eles não fiquem com mais problemas de saúde por sua causa.

Aliza entende que isto significa que seus convidados terão de iniciar o processo em meados do verão para terem a imunidade requerida em tempo para o grande dia.

Amber Cole, professora, 27 anos, que vive em Oswego, Illinois, também deve pedir aos seus 40 convidados para se vacinarem contra a covid-19 antes de irem ao seu casamento na França, marcado para três de julho. Ela está disposta a adiar o casamento se a maioria deles não tiver acesso à vacina a tempo.

Casais que estão planejando grandes festas de casamento, neste verão ou mais adiante, não sabem bem como exigir isso dos seus convidados. Até agora, máscaras, distanciamento social e mesmo um teste rápido de covid eram práticas aceitas para minorar os riscos nessa pandemia.

“Isto tudo é novo”, disse Jacqueline Whitmore, especialista em etiqueta que mora em Palm Beach, Flórida. “Posso entender os casais pedindo para as pessoas realizarem um teste de Covid, mas no caso da vacina acho que é uma decisão pessoal”, afirmou ela.

Birdy Grey, loja especializada em vestidos de noiva e para casamentos, com sede em Los Angeles, realizou uma pesquisa no Instagram para saber se as noivas planejam exigir que seus convidados se vacinem para irem ao seu casamento. Das 4.2000 pessoas que responderam, 35% disseram sim. As demais disseram não.

“Para aquelas que exigirão, trata-se principalmente da segurança de entes queridos mais idosos que correm mais risco”, afirmou Grace Lee, fundadora e diretora executiva da Bidy Grey.

Entre aquelas que se opõem a pedir aos convidados para se vacinarem está Keith Willard, de Fort Lauderdale, na Flórida, organizadora de casamentos. “Sei neste momento atual que todo mundo acha que pode exigir qualquer coisa dos seus convidados. Mas a vacinação é algo totalmente diferente. Os convidados têm o direito de tomar a decisão que os deixará mais tranquilos”.

Segundo Lewena Bayer, especialista em boas maneiras no local de trabalho, que atua em Calgary, Alberta, se há convidados que correm um alto risco vale a pena adotar um tipo de etiqueta que não é vista com bons olhos. Para ela é aceitável no caso exigir que as pessoas se vacinem, admitindo que alguns convidados podem preferir não comparecer ao casamento.

Nem todo mundo, incluindo alguns médicos, concorda que uma vacina é necessária no caso, ou que a vacina mudará totalmente a maneira como vivemos no momento.

De acordo com um levantamento feito em dezembro junto a 700 pesquisadores de saúde pública pelo The New York Times os médicos ainda se preocupam com a longevidade da imunidade, a mutação do vírus e a distribuição da vacina. Cerca de 3% dos pesquisadores disseram ter participado, ou participariam, de um casamento ou um funeral um mês antes da pesquisa realizada. E para metade deles não haverá um retorno à normalidade até que pelo menos 70% da população esteja vacinada.

Mercedes Carnethon, vice-presidente de pesquisa no departamento de medicina preventiva da Escola de Medicina Feinberg, pertencente à Northwestern University, disse que ficaria mais tranquila em participar de um casamento se estivesse vacinada, mesmo que outros ainda não tenham tomado a vacina. Mas afirmou que a situação é diferente no caso dos seus filhos.

“Aquelas crianças com menos de 16 anos não serão vacinadas. Se você permite a entrada de pessoas sem a vacina vai colocar outras em risco”.

Mas à medida que a vacina se torna disponível amplamente, é mais comum vermos pedidos ou mesmo exigências para as pessoas se vacinarem antes de participarem de algum evento”, afirmou a Dra. Lisa Maragakis, diretora da divisão de prevenção de infecções no Johns Hopkins Hospital. É também importante lembrar que a vacina não substitui as medidas de prevenção, como uso de máscaras e distanciamento físico, afirmou a médica.

“A vacina protege o indivíduo que está vacinado, mas não sabemos ainda até que ponto reduzirá a possibilidade de uma pessoa transportar e transmitir o vírus para outras”, disse ela.

No momento é difícil prever quando a pandemia chegará ao fim, ou quando poderemos retornar às comemorações em grupo sem a preocupação com vacinas ou máscaras, opinou a médica.

Até então, as cerimônias de casamento devem ser mais reservadas. /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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