Stephen Hiltner para The New York Times
Stephen Hiltner para The New York Times

Comunidade vietnamita está perdendo a própria identidade

Laços que uniam o grupo começa a desaparecer entre os jovens

Stephen Hiltner, The New York Times

23 Maio 2018 | 10h15

NOVA ORLEANS - Village de l’Est, um bairro do extremo leste de Nova Orleans, a 25 quilômetros do Bairro Francês, é uma comunidade de imigrantes que existia predominantemente à margem da cidade.

Durante décadas, Village de l’Est abrigou vários milhares de vietnamitas-americanos. Entretanto, “mesmo aqui em Nova Orleans”, disse Cyndi Nguyen, “muitas pessoas nem sequer têm conhecimento da nossa cultura”.

Cyndi, 48, estabeleceu-se na cidade com os pais quando uma onda de refugiados chegou procedente do Vietnã, no início de 1975, depois da queda de Saigon. Uma grande parcela desta população - como o pai de Cyndi, de 68 anos, antes pescador, e sua mãe, 65, que limpava camarões para uma companhia de pesca - foi atraída pela promessa da indústria pesqueira da Louisiana, e com o patrocínio da igreja local.

Nos primeiros 30 anos, segundo ela, a comunidade se manteve muito fechada e permaneceu separada do resto da cidade por causa da língua, das barreiras culturais e por sua localização isolada. Tudo isso mudou em 2005. A devastação produzida pelo Furacão Katrina obrigou a comunidade a se afirmar politicamente, começando com os esforços para restaurar os serviços públicos da cidade, bem como opondo-se à criação de um lixão nas proximidades.

Menos de cinco anos mais tarde, o vazamento de petróleo da Deepwater Horizon afetou a comunidade de uma maneira desastrosa, dado seu vínculo com a indústria da pesca. Então, Cyndi obteve uma cadeira na Câmara Municipal de Nova Orleans e se tornou a primeira asiática-americana a assumir o cargo de vereadora no início deste mês.

Agora, o enclave vietnamita está sofrendo uma transformação. Laços mais fortes que uniam as pessoas - a mesma língua e a mesma religião - começam a enfraquecer entre os jovens das gerações mais novas, alguns dos quais já não falam o vietnamita de maneira fluente e frequentam menos a Igreja Católica. 

Um maior acesso à educação e, consequentemente, as perspectivas que este acesso oferece também estão levando os vietnamitas-americanos mais longe do lado Leste de Nova Orleans. Tais mudanças levantam questões sobre a persistência das comunidades de imigrantes.

“A maior parte da minha geração, ainda está aqui”, contou Lang Le, 49, que se estabeleceu com a família em 1975. “Mas as gerações mais jovens estão partindo. Estes jovens vão para a faculdade, se formam, vão para o Texas e a Califórnia”.

Em Village de l’Est, as tradições vietnamitas ainda estão centradas na religião, na família e na culinária. No mercado de seus produtores rurais, os moradores vendem e trocam temperos, produtos de granja, peixe, camarões e frangos. A igreja local, dedicada a Maria Rainha do Vietnã, ajudou a lançar as raízes de uma empresa de desenvolvimento da comunidade, a MQVN, que desde 2006 promove programas de assistência médica, educação, habitação, serviços sociais e desenvolvimento econômico.

Tuan Nguyen, 37, diretor-executivo da MQVN, espera que o bairro possa atrair as pessoas de volta. Afinal, ele contou, há coisas de que sua filha gosta mais do que passar o tempo com a avó na fazenda comunitária.

“De certo modo, tudo acaba voltando”, afirmou.

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