Jenny Anderson /Getty Images para The Cher Show
Jenny Anderson /Getty Images para The Cher Show

Conceito de moda vintage pode estar desaparecendo

Especialistas alertam que ciclos cada vez menores para a volta de tendências pode dificultar o reconhecimento do estilo de uma época

Rhiannon Picton-James, The New York Times

13 Fevereiro 2019 | 06h00

Os sites de revenda evoluíram desde o surgimento do comércio eletrônico. Inicialmente baseado em aplicativos, o site Depop, de vendas de produtos de segunda mão, não para de expandir-se e funciona como algo entre o Instagram e uma plataforma de vendas. Os seus 10 milhões de usuários têm gestores e seguidores. A foto mais interessante do dia leva você para a página inicial, e você se torna uma personalidade famosa do Depop.

Um estudo recente realizado pela ThreadUp, que se define como a maior loja de revenda e entregas, avaliou o mercado americano de revenda em US$ 20 bilhões, e prevê que crescerá até US$ 41 bilhões até 2022. Segundo a Depop, roupas vintage, que em geral são roupas feitas no mínimo há dez anos, representaram 40% de suas vendas globais, no ano passado. Um vendedor da Depop, Cory Barnette da Califórnia, é seguido por mais de 15 usuários de um ano para cá.

“Minha estética de marca inspira-se em trajes esportivos dos anos 1990”, disse Cory, 29. As horas passadas pechinchando nos mercados de pulgas e nas lojas de segunda mão certamente compensaram. A melhor peça que ele encontrou foi uma camisa de seda dos anos 1990 de Gianni Versace. “Consegui por US$ 8 e revendi por US$ 700”.

Outros sites populares de roupa vintage não tão velha incluem Mercari, Poshmark e Vestiaire Collecitve. A modelo Yasmin Lee Bon vendeu a sua “coleção de arquivo” pela Vestiaire Collective. Influenciadores jovens atraem compradores para eras mais próximas. Recentemente, Kim Kardashian West usava um vintage Versace, e sua irmã mais nova, Kylie Jenner, foi vista com vários modelos Gucci dos anos 1990.

E vem aí o retorno do começo do século 21. No ano passado, Dior trouxe de volta a popular bolsa “saddle” do início dos anos 2000 no seu revival no mercado vintage. A top Bella Hadid com um destes modelos seguramente não escandalizou. Mas em uma época em que qualquer coisa pode ser revendida instantaneamente online, será que o próprio conceito de vintage está desaparecendo? Amber Butchart, historiadora da moda do Londos College of Fashion, não pensa assim.

“Falávamos sobre isso há dez anos”, disse Amber. “O mercado de segunda mão sempre existiu, desde que o ser humano começou a usar roupas. Anteriormente, o ciclo era de 20 anos, agora podem ser até de cinco”. Mas quem pode referir-se a uma autêntica tendência de cinco anos? É difícil prever quais serão os estilos lembrados favoravelmente nos últimos dez anos. “Não é possível afirmar que não poderemos olhar para trás, para os anos 2010 no futuro, e reconhecer a moda daquele período”, disse Butchart. “Isso nunca aconteceu antes na história”.

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